Braskem sobe 3% após Novonor assinar contrato para venda do controle da companhia

O ⁠contrato regula, entre outros pontos, os termos e condições para a alienação judicial pela NSP ​ao FIP de ações ordinárias e preferenciais classe “A” ​de emissão da Braskem

Reuters Equipe InfoMoney

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Estande da Braskem (Foto: Divulgação/Braskem)
Estande da Braskem (Foto: Divulgação/Braskem)

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A Novonor anunciou nesta segunda-feira (20) que assinou o contrato para transferir sua participação de controle na Braskem (BRKM5) para a IG4 Capital, em uma operação que prevê oferta para a aquisição das ações da petroquímica em circulação no mercado.

A Novonor anunciou nesta segunda-feira que assinou o contrato para transferir sua participação de controle na Braskem para a IG4 Capital, em uma operação que prevê oferta para a aquisição das ações da petroquímica em circulação no mercado.

De acordo com o contrato, a NSP Investimentos, veículo de investimentos da Novonor (ex-Odebrecht), venderá ao fundo de investimento em participação Shine I, sob gestão da Vórtex Capital e assessorado pela IG4, ações ordinárias e preferenciais classe “A” de emissão da Braskem representativas de aproximadamente 50,1% das ações ordinárias de sua emissão e de aproximadamente 34,3% de seu capital social total.

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A NSP permanecerá com participação correspondente a 4% do capital social total da Braskem, sem direitos de governança além daqueles previstos em lei.

Tal desfecho “levará ao encerramento de um ciclo de décadas de investimento pela Novonor dedicado à construção de uma das petroquímicas mais relevantes do mundo, em parceria com a Petrobras”, afirmou a Novonor em comunicado.

“A empresa reafirma o orgulho em ter contribuído para que milhares de profissionais de altíssima qualidade desenvolvessem ao longo dos anos um ativo de tamanha importância estratégica para o país, essencial para o fortalecimento da indústria nacional.”

As ações da Braskem chegaram a avançar mais de 5% no melhor momento nos primeiros negócios desta segunda-feira, mas reduziram o fôlego e, por volta de 14h17, os papéis subiam 3,16%, a R$ 9,13, enquanto o Ibovespa tinha elevação de 0,30%.

“Não vemos grandes potenciais de valorização na tese de mudança de controle, uma vez que as principais melhorias na companhia devem vir de um cenário mais favorável para os spreads petroquímicos…e do provável plano de reestruturação a ser anunciado nas próximas semanas ou meses”, afirmaram analistas do Citi, em relatório a clientes nesta segunda-feira.

“Enquanto isso, ainda enxergamos alguns riscos, como a possibilidade de pedido de recuperação judicial”, acrescentaram.

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A companhia encerrou 2025 com uma dívida líquida ajustada de US$7,5 bilhões, uma alavancagem financeira de 14,74 vezes e um consumo de caixa de R$7,3 bilhões.

A conclusão do negócio depende da obtenção das autorizações judiciais cabíveis e aprovação de autoridades antitruste competentes, sendo que algumas anuências já foram obtidas previamente ao contrato, além de não exercício pela Petrobras do direito de preferência e direito de tag along previstos no acordo de acionistas da Braskem em vigor.

Em comunicado ao mercado, a Petrobras disse que a diretoria-executiva da companhia está avaliando os termos da operação para manifestação final quanto ao não exercício, pela companhia, dos direitos de preferência e tag along.

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Na visão de analistas do Citi, por ora, a Petrobras não irá exercer seu direito de preferência.

Novo acordo de acionistas, nova diretoria

Após o fechamento da operação, um novo acordo de acionistas entrará em vigor e a governança da companhia será equilibrada entre o Shine I e a Petrobras, detentora atualmente de 47% do capital votante da Braskem e 36,1% do capital total.

“O comprador pretende conduzir, em conjunto com a Petrobras, a reestruturação financeira e operacional da companhia, com a intenção de que a Braskem volte a gerar valor para seus acionistas e para o Brasil”, afirmou o Shine I na correspondência enviada à Braskem e divulgada pela petroquímica nesta segunda-feira.

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Ainda na correspondência, o Shine I diz que, “com o auxílio da IG4”, recrutou para ocupar cargos de administração e gestão na companhia “profissionais altamente experientes na administração e na condução de processos de reestruturação de empresas líderes em seus segmentos de atuação, incluindo nos setores de logística e de água e esgotamento sanitário”.

O novo acordo de acionistas deve ser assinado ainda nesta semana, afirmou à Reuters uma fonte a par das negociações, acrescentando que um novo conselho de administração eleito e os novos diretores da Braskem devem ser anunicadas em assembleia de acionistas da petroquímica prevista para 29 de abril.

O contrato assinado deriva do acordo anunciado em dezembro do ano passado, que envolveu a compra pela IG4 de cerca de R$20 bilhões em dívidas da Novonor detidos pelos maiores bancos do Brasil e garantidas por ações da Braskem.

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OPA

O contrato assinado prevê uma oferta pública para a aquisição de até a totalidade das ações ordinárias e preferenciais em circulação da Braskem “na maior brevidade possível”, conforme sinalizou o Shine I.

De acordo com analistas do UBS BB, a conclusão do acordo já era amplamente esperada, após comunicações recentes”, afirmaram analistas do UBS BB. “A oferta pública para aquisição de todas as ações remanescentes foi uma surpresa, mas os termos e os preços ainda não estão claros, já que as condições do negócio até agora estavam vinculadas a uma conversão de dívida.”

Em contraprestação às ações da Braskem adquiridas, serão entregues, pelo FIP à NSP 547.257.590 debêntures da 1ª série da 2ª emissão da NSP Investimentos e 273.628.795 debêntures da 2ª série da 2ª emissão da NSP Investimentos — quantidade que já reflete um grupamento das referidas debêntures, que será deliberado previamente ao fechamento da transação.

Para cada ação adquirida, serão entregues duas debêntures da 1ª série de 2ª emissão e uma debênture de 2ª série da 2ª emissão.

Analistas do BTG Pactual destacaram que a operação permanece como uma transação sem desembolso de caixa, uma vez que serão entregues debêntures da NSP em troca das ações da Braskem. E acrescentaram que, embora exista uma obrigação legal de realização de OPA, ela seguiria as mesmas condições aplicáveis aos fundos assessorados pela IG4.

“Na nossa visão, o preço implícito pago pelos fundos pelas ações da Braskem tende a ser muito baixo, já que o pagamento foi feito por meio de debêntures da NSP, o que implica que uma eventual oferta pública provavelmente não seria atrativa para os acionistas minoritários, trazendo, portanto, implicações limitadas para a tese de investimento.”

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