JPMorgan reitera Sabesp como principal recomendação no setor e vê ação a R$ 200

Companhia oferece uma das maiores taxas de retorno da cobertura do banco e teve preço-alvo elevado

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

Foto: Agência SP
Foto: Agência SP

Publicidade

O JPMorgan reiterou a Sabesp (SBSP3) como sua principal escolha no setor de utilidades (utilities, ou energia e saneamento), com revisão positiva para o preço-alvo. Para o final de 2026, o preço subiu de R$ 152 para R$ 200, com taxas internas de retorno (IRR) em 9,9%. O valor é um dos maiores da cobertura, em termos reais, mantendo assim recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, ou equivalente à compra)

Para o banco, a Sabesp oferece um combo de fundamentos sólidos, fatores técnicos favoráveis e opicionalidade atrativa. Com base nesses parâmetros, os analistas também elevaram a estimativa de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 6% para 2026-2027, 6% acima do consenso do mercado.

Dentro da cobertura da JPMorgan, apenas duas companhias podem entregar Ebitda acima dos 15% ao ano em cinco anos, sem depender de fatores externos não controláveis e uma delas é a Sabesp.

Continua depois da publicidade

De acordo com o novo relatório, o plano de investimento da companhia deixou de ser uma preocupação e passou a representar potencial de geração de valor. Desde a privatização, investidores sinalizaram preocupações em relação ao aumento acelerado do capex e possíveis riscos de execução.

O plano de capex da empresa subiu de US$ 1 bilhão por ano para US$ 3 bilhões. A Sabesp ainda planeja investimentos maiores no futuro. Para o banco, essa estratégia é positiva porque, por um lado, sinaliza confiança da gestão na execução e, por outro, por gerar valor.

Com esse cenário posto, o banco estima que a base de ativos regulatório da companhia dobre em cinco anos, atingindo US$ 40 bilhões até 2030. Além do crescimento orgânico, os analistas calculam que há mais espaço para crescimento via aquisições.

Fatores técnicos sustentam revisão

Mesmo em um ano fortemente influenciado por fluxos de capital e possíveis mudanças macroeconômicas, o JPMorgan vê a Sabesp como uma das beneficiarias da entrada de capital estrangeiro e queda nas taxas de juros.

De acordo com os analistas, isso se dá pelos fatores técnicos da companhia, como estar avaliada em US$ 24 bilhões e ter um volume médio diário de negociação de cerca de US$ 100 milhões. Apesar disso, destaca o relatório, a ação não parece estar entre as preferidas dos investidores locais.

Para o JP, assim como ocorre com a maioria das empresas de utilidades da sua cobertura, o bom desempenho recente levantou preocupações sobre valuation da empresa. Ainda assim, conforme os analistas, essas preocupações parecem exageradas.

Continua depois da publicidade

Em 2026, base de ativos regulatórios (RAB) líquida está estimada em R$ 113 bilhões, após ajustes. Os custos operacionais (OPEX) regulatórios esperados para o ano são de R$ 10 bilhões. A Sabesp também planeja fazer o repasse de 90% dos ganhos de eficiência aos consumidores após 2040.