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A recuperação do Bitcoin (BTC) acima de US$ 75.000 tem um problema de credibilidade: os traders com maior alavancagem simplesmente não acreditam nela.
As taxas de financiamento em futuros perpétuos, um indicador que mede se os traders alavancados estão apostando em alta ou queda, ficaram negativas por cerca de 46 dias consecutivos. É uma das sequências baixistas mais longas já registradas, empatando com o período de novembro a dezembro de 2022, quando o colapso da exchange de criptoativos FTX abalou o setor.
Esse tipo de descompasso costuma se resolver rapidamente — e de forma dolorosa para um dos lados. Se os preços continuarem subindo, os traders que apostaram contra o rali enfrentam perdas crescentes que podem forçá-los a recomprar suas posições de uma vez, empurrando os preços bruscamente para cima em um efeito cascata conhecido como short squeeze. Quanto mais tempo durar o impasse, maior o potencial de descompressão.
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“Os traders estão ativamente construindo posições vendidas e apostando contra um rompimento, criando condições em que um short squeeze se torna mais provável caso o momentum de alta persista”, disse Vetle Lunde, chefe de pesquisa da K33.
A divisão marca uma das maiores discrepâncias do ano entre o que está acontecendo nos mercados à vista e o que os traders de derivativos estão posicionando. O Bitcoin acumulou alta de cerca de 14% desde sua mínima de abril, impulsionado em parte por novas compras em ETFs listados nos EUA e por aquisições expressivas da Strategy, empresa de tesouraria em Bitcoin de Michael Saylor.
As entradas líquidas em ETFs de Bitcoin à vista listados nos EUA somaram US$ 332 milhões nesta semana, com US$ 26 milhões adicionados na quinta-feira. A criptomoeda era negociada em torno de US$ 75.250 às 6h52 da manhã de sexta-feira, horário de Nova York.
O que torna o posicionamento vendido particularmente arriscado é o volume de catalisadores de alta chegando ao mesmo tempo — qualquer um deles poderia desencadear o tipo de valorização que força traders baixistas a cobrir suas posições. A Strategy realizou duas compras que somaram US$ 2,6 bilhões nas últimas duas semanas. Segundo Bohan Jiang, trader sênior de derivativos da FalconX, essas aquisições ajudaram a sustentar o mercado. Enquanto isso, a Charles Schwab anunciou planos de lançar negociação à vista de criptoativos ainda este ano e sugeriu que clientes poderiam alocar até 8,8% de uma carteira em Bitcoin.
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A pressão se estende aos maiores nomes de Wall Street. O Goldman Sachs protocolou, nesta semana, um pedido de ETF de Bitcoin — sua primeira entrada direta no espaço de investimento em cripto. Na semana passada, o Morgan Stanley se tornou o primeiro grande banco a lançar seu próprio ETF rastreador de Bitcoin, movimento que Lunde, da K33, classificou como “monumental”, apesar dos fluxos iniciais modestos, dado o peso do nome Morgan Stanley.
Os ETFs de Bitcoin listados nos EUA absorveram mais de US$ 800 milhões na última semana, uma reversão acentuada em relação às saídas registradas no início do ano. Cada nova onda de compras eleva o custo para os vendedores a descoberto manterem suas posições, intensificando as condições de squeeze que o mercado de derivativos vem construindo há semanas.
“Uma ruptura acima de US$ 76.000 poderia levar o BTC a se estender até US$ 85.000”, disse Laurens Fraussen, analista de pesquisa da Kaiko. “Uma alta assim pode pegar algumas pessoas de surpresa.” O Bitcoin era negociado em torno de US$ 75.000 na quinta-feira, ainda 40% abaixo da máxima histórica de aproximadamente US$ 126.000, registrada em outubro.
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Investidores baixistas ainda podem sair no lucro se o movimento de recuperação perder força. Traders de opções estão pagando prêmios consideráveis por proteção contra quedas, com níveis elevados de interesse aberto em opções de venda (put) com preços de exercício em US$ 60.000 e US$ 50.000, de acordo com dados da exchange de criptoativos Deribit.
O Bitcoin também pode enfrentar resistência significativa em sua trajetória de alta, à medida que operadores de opções que adotam estratégias neutras de mercado vendem durante o rali. As maiores posições estão concentradas em torno de US$ 80.000, segundo Jiang.
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