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O Goldman Sachs elevou a recomendação das ações da LATAM (NYSE: LTM) de neutro para compra, em uma revisão estratégica impulsionada pela nova dinâmica do mercado global de energia.
Com a disparada de mais de 80% nos preços do combustível de aviação desde fevereiro de 2026, o banco passou a priorizar companhias com menor alavancagem e maior capacidade de repasse de custos. O preço-alvo para os ADRs em Nova York foi fixado em US$ 63,40. Às 15h10, as ações na Bolsa de Nova York caíam 1,45%, a US$ 52,43.
Os analistas do GS afirmam que a posição financeira da companhia permite que haja um enfrentamento melhor e mais seguro ao se tratar da volatilidade macroeconômica, especialmente em relação aos pares do setor.
“Destacamos a sólida posição financeira da companhia atualmente e seu posicionamento para renda mais alta na América Latina”, aponta o relatório. Para o banco, o perfil de cliente da empresa resulta em uma menor sensibilidade a aumentos de preços, facilitando a recomposição de margens em um ambiente de custos pressionados.
Cenário macro
A revisão da tese é uma resposta direta ao conflito iniciado no Irã em 28 de fevereiro de 2026, que provocou um aumento de aproximadamente 72% no preço do combustível de aviação em apenas poucos dias.
O Goldman Sachs fundamenta a nova análise na incerteza sobre os fluxos de petróleo no Estreito de Ormuz, que atualmente operam com apenas 5% dos níveis normais. A expectativa da equipe de commodities do banco é que o Brent fique em média entre US$ 80 e US$ 85 em 2026/27, mas o relatório alerta para riscos assimétricos.
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Caso as restrições em Ormuz persistam por mais de 10 semanas, os analistas preveem que os preços diários do petróleo podem exceder o recorde histórico de 2008. Em um cenário “severamente adverso”, com perda persistente de produção no Oriente Médio, o pico do Brent poderia convergir para US$ 115 no último trimestre de 2026.
Essa turbulência exige que investidores busquem empresas com balanços blindados e “queima de caixa contida”, características que o banco agora atribui à LATAM.
Vantagem competitiva
Além do cenário macro, um dos principais pilares da mudança de recomendação sobrea as ações da LATAM é a menor exposição relativa da companhia ao custo do combustível como percentual da receita líquida.
Em tempos de crise energética, companhias que dependem menos de tarifas agressivas para gerar volume levam vantagem, segundo os analistas. Ainda, eles pontuam que as Companhias de Serviço Completo (FSC, na sigla em inglês) possuem uma receita média por passageiro substancialmente maior que as Operadoras de Ultra Baixo Custo (ULCC, em inglês), o que exige um aumento percentual menor nas passagens para manter a lucratividade.
O banco também projeta resiliência na geração de caixa. Mesmo sob uma perspectiva de combustível a US$ 3,30 por galão para 2026 (alta de 58% ano a ano), o modelo da instituição prevê que a companhia sustente um FCF (Fluxo de Caixa Livre) positivo.
“Acreditamos que a menor alavancagem e a queima de caixa contida são fundamentais para resistir a tempos turbulentos”, diz o relatório, citando que a solidez do balanço é o diferencial para atravessar o período em que o aumento das passagens ainda não se converteu totalmente em receita voada.
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Valuation
No campo de valuation, o Goldman Sachs enxerga uma oportunidade de reclassificação das ações da LATAM. O papel negocia atualmente a 4,4 vezes o Valor Empresarial/Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) esperado para 2027, nível que o banco considera descontado frente aos pares globais, mesmo com Ebitda sendo pressionado pelos preços de energia.
O relatório também observa que os papéis da LATAM operam hoje com um desconto de 35% em relação às aéreas de serviço completo dos Estados Unidos, enquanto a média histórica de três anos para esse desconto situa-se em torno de 10%.
De acordo com os analistas, essa lacuna indica que o mercado ainda não precificou totalmente a capacidade da companhia de manter margens superiores às de seus concorrentes regionais durante o atual choque de oferta de petróleo.
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