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Analistas do Morgan Stanley atualizaram a tese de investimento para a RD Saúde (RADL3). O banco aumentou o preço-alvo da ação de R$ 27,50 para R$ 28,00, e reiterou a recomendação de compra das ações, afirmando que o mercado precificou os riscos de forma excessiva, ignorando a resiliência da companhia quanto aos desafios estruturais do setor varejista.
Segundo os analistas, o avanço dos tratamentos de nova geração deve impulsionar uma alta de 17% na receita de varejo em 2026. “A RADL3 mostra resiliência com riscos precificados em excesso; o mercado precifica riscos incrementais em excesso, criando um ponto de entrada atraente”, diz o relatório do Morgan Stanley.
Uma das principais atualizações do banco diz respeito ao cronograma de lançamento dos genéricos de Semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy.
Devido a atrasos na aprovação regulatória, analistas do Morgan Stanley agora esperam que essas versões cheguem ao mercado apenas no segundo semestre de 2026. Embora isso “desloque a rampa de crescimento para a direita” no curto prazo, a tese de longo prazo saiu fortalecida.
Dados da IQVIA apontam que pacientes estão migrando mais rápido do que o esperado para a Tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro), que possui um ticket médio mais elevado. Para o banco, a leve desaceleração recente nas vendas não é falta de interesse do consumidor, mas sim uma restrição de oferta por parte dos fabricantes.
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Expansão do mercado
O Morgan Stanley também elevou a estimativa para o tamanho total do mercado de GLP-1 no Brasil, passando de R$ 37 bilhões para R$ 39 bilhões. A revisão foi motivada pela percepção de que as restrições financeiras dos consumidores são menos rígidas do que se imaginava previamente.
O comportamento recente aponta para uma maior disposição do público em pagar por terapias mais caras e eficazes. Com o tempo, a entrada dos genéricos deve ampliar ainda mais a base de usuários. “Embora esperemos agora uma expansão mais lenta do mercado de genéricos em 2026, a oportunidade de longo prazo aumentou”, explica a fonte.
Resiliência e e-commerce
Os analistas destacam que mesmo com as preocupações com a entrada de novos competidores como o Mercado Livre (BDR: MELI34) e a venda de medicamentos em supermercados, o banco vê a RD Saúde protegida por barreiras operacionais. Segundo o documento, a complexidade do armazenamento térmico e o controle regulatório favorecem quem possui uma rede física capilarizada.
Além disso, o segmento de HPC (Higiene, Perfumaria e Cosméticos) apresentou sinais iniciais de recuperação, com crescimento de aproximadamente 18% no quarto trimestre de 2025. Esse desempenho ajuda a compensar as pressões de margem vindas da “genericização” de outras categorias e sustenta o ímpeto de lucros da empresa.
Por fim, as projeções do Morgan Stanley identificam um crescimento sólido para o varejo, mesmo tirando a 4Bio (unidade de medicamentos especiais) dos índices. O banco estima que o índice de Vendas em Mesmas Lojas Maduras de 9,7% para 2026.
No que diz respeito ao valuation, a ação negocia atualmente a um múltiplo de 22 vezes P/L (Preço sobre Lucro) para a expectativa de 2026, enquanto o preço-alvo de R$ 28,00 implica um múltiplo de 27 vezes.
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Para o Morgan Stanley, há uma clara oportunidade de “reclassificação” do papel à medida que o mercado reconhece a durabilidade do crescimento impulsionado pelo GLP-1.