Guerra do Irã deixa como resultado um mundo mais estagflacionário, avalia Verde

Em carta mensal, gestora de Luis Stuhlberger afirma que conflito trará impactos ainda não precificados, e volta a comprar Bolsa local após desempenho "excepcional" na crise

Paulo Barros

Luis Stuhlberger participa do Outliers InfoMoney
Luis Stuhlberger participa do Outliers InfoMoney

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Estados Unidos e Irã chegaram a uma trégua temporária que anima os mercados nesta quarta-feira (8), mas não evita consequências de longo prazo que deverão ser entendidas mesmo que o conflito realmente chegue ao fim. A análise é da Verde Asset Management, que alerta para efeitos da guerra ainda não incorporados nos preços.

“Mesmo que a guerra termine amanhã, devemos conviver com preços mais altos de energia por bastante tempo”, avaliou a gestora de Luis Stuhlberger em carta mensal divulgada na última terça, pouco antes do anúncio do cessar-fogo. “Os impactos de segunda ordem dessa lógica ainda não foram precificados nos mercados: é um mundo mais estagflacionário”, atestou a casa.

Estagflação é o conceito que combina uma economia em desaceleração junto com ambiente de inflação persistente.

Segundo a Verde, um dos desafios da crise atual é a liberação de fato do tráfego no Estreito de Ormuz. Pelo que se sabe do acordoa até agora, o Irã teria concordado em liberar o estreito mediante o pagamento de um pedágio, algo que a gestora considera uma saída “bastante problemática no longo prazo”, muito embora seja capaz de aliviar incertezas no curto prazo.

Esse ponto vem gerando ruído até mesmo nas primeiras horas após a trégua. Nesta quarta, informações apuradas por agências de notícias dão conta de um tráfego ainda tímido na passagem, e que teria sido até mesmo novamente interrompido totalmente pelo Irã diante dos ataques israelenses ao Líbano, mesmo após o cessar-fogo. Ao mesmo tempo, drones iranianos teriam atingido alvos americanos no Golfo, e instalações petrolíferas na Arábia Saudita.

Como o vice-presidente americano JD Vance falou, a situação ainda é de uma trégua frágil – e o petróleo, apesar de ter chegado a recuar quase 20% na sessão, ainda segue negociado acima de US$ 90 o barril.

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Olhando o copo meio cheio, no entanto, a Verde aponta o Brasil como ponto positivo em meio à turbulência, e voltou a comprar ações locais ainda no começo de março.

“O Brasil performou excepcionalmente bem em meio à volatilidade de março, especialmente o câmbio e o mercado acionário”, disse a gestora. É consenso que o país se beneficia de um preço de petróleo mais alto – tanto fiscalmente quanto no balanço de pagamentos – em meio a um universo de mercados emergentes cheio de países importadores de energia”, finalizou.

Enquanto aumentou a fatia em ações brasileiras, a Verde zerou posição aplicada (que se beneficia da queda) em juro real, aproveitando os leilões do Tesouro, e manteve opções de compra no real. Além disso, manteve alocação em crédito e se desfez de proteções contra perdas nesse mercado. No exterior, manteve bolsa global, posição em moeda chinesa e em uma cesta de moedas contra o dólar, e comprou proteção de crédito da Arábia Saudita.

Em um mês altamente desafiador para fundos multimercados, o Verde entregou 0,05% de rentabilidade, contra 1,21% do CDI. Em 2026, o fundo registra 4,57% de retorno, contra 3,41% do benchmark da classe.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)