Gigante de R$ 1,2 tri revela estratégia ousada para dobrar de tamanho

No centro do modelo está uma aposta em equipes altamente especializadas

Osni Alves

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Com R$ 1,2 trilhão sob gestão, a Itaú Asset chegou a um diagnóstico direto: o próximo salto de tamanho depende de conquistar investidores fora do Brasil. Para o CEO Carlos Augusto Salamonde, o mercado doméstico já não tem condições de oferecer a escala necessária para dobrar o negócio.

A estratégia foi detalhada em entrevista à Lucas Collazo, no programa Stock Pickers. No centro do modelo está uma aposta em equipes altamente especializadas — grupos pequenos, de um a três pessoas, cada um focado num nicho específico. Quatro novas equipes desse formato foram anunciadas recentemente.

O álbum de figurinhas

A mudança resolveu um problema prático. Antes, trazer um gestor talentoso exigia montar uma estrutura maior ao redor dele.

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Com o novo modelo, um profissional individual pode entrar de forma autônoma, receber uma fatia de risco para operar e, se os resultados justificarem, crescer até ter um fundo próprio.

“Estou muito satisfeito porque eles estão preenchendo o que eu chamo de álbum de figurinhas”, afirmou Salamonde.

O sucesso, segundo ele, não se mede pelo número de equipes, mas pelas fontes de retorno que cada uma entrega.

Para validar esses talentos, a gestora construiu uma área especializada em analisar o histórico de desempenho — um banco de dados alimentado mês a mês que separa habilidade real do reflexo do mercado subindo.

Dados no lugar de indicações

A virada de cultura foi resumida pelo CEO em uma frase direta: “A gente passou por um passado onde era o fulano conhece o ciclano há 20 anos. Hoje a gente vai olhar e dizer cadê o dado?”

Validada a fonte, um comitê de investimentos aprova a entrada, define o tamanho do risco e autoriza a operação.

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Toda essa infraestrutura é apresentada por Salamonde como condição indispensável para escalar — especialmente em parcerias com gestores no exterior.

A gestora investiu de forma significativa em tecnologia e execução para garantir que a ambição seja acompanhada pela estrutura.

O mapa que falta preencher

Na expansão internacional, a gestora percebeu que não basta apresentar o fundo convencional ao investidor estrangeiro.

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“A gente percebeu que existia demanda para o investidor olhar a fonte de retorno de perto”, disse o CEO. A resposta foi desenvolver estruturas que permitem acesso direto a estratégias específicas da casa.

Para Salamonde, há um descompasso entre o que a Itaú Asset tem a oferecer e o reconhecimento que ainda não conquistou fora do Brasil.

A conclusão resume o diagnóstico e o desafio: “Se a gente for dobrar o tamanho do nosso negócio, a gente dificilmente vai dobrar esse 1,2 trilhão internamente.”

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