EUA e Irã recebem proposta de paz que prevê cessar-fogo imediato; veja o que se sabe

Teerã rejeitou de imediato a reabertura do Estreito de Ormuz como condição de um cessar-fogo temporário

Equipe InfoMoney Agências de notícias

Publicidade

Os Estados Unidos e o Irã receberam a estrutura de uma proposta de paz para encerrar as hostilidades no Oriente Médio, mas Teerã rejeitou de imediato a reabertura do Estreito de Ormuz como condição de um cessar-fogo temporário, informou a Reuters nesta segunda-feira (6).

Ao mesmo tempo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, confirmou em coletiva que Teerã já comunicou suas exigências a Washington por meio de intermediários.

O plano em negociação

A proposta em discussão foi elaborada por mediadores egípcios, paquistaneses e turcos, segundo fonte familiarizada com os termos ouvida pela AP. O plano prevê uma abordagem em duas fases: um cessar-fogo imediato de 45 dias, com reabertura do Estreito de Ormuz, seguido de um acordo abrangente a ser finalizado em 15 a 20 dias.

Continua depois da publicidade

O documento foi encaminhado ao chanceler iraniano Abbas Araqchi e ao enviado especial americano Steve Witkoff. Nenhum dos dois lados respondeu formalmente à proposta até o momento.

Os contatos entre as partes ocorreram de forma intensa ao longo da madrugada. O chefe do Exército do Paquistão, marechal Asim Munir, ficou em comunicação “a noite toda” com o vice-presidente americano JD Vance, com Witkoff e com Araqchi, de acordo com a Reuters. A mediação paquistanesa é central no processo: Islamabad tem mantido canais abertos com Teerã e Washington desde o início do conflito.

As condições do Irã

Baqaei confirmou em coletiva de imprensa que Teerã já comunicou suas posições a Washington por meio de terceiros. “Formulamos nosso próprio conjunto de demandas com base em nossos interesses e considerações. Não temos vergonha de expressar nossas demandas legítimas e lógicas”, disse, segundo a agência Anadolu. O porta-voz acrescentou que a troca de mensagens via intermediários “é normal e está em curso” e que a disposição do Irã de declarar suas posições abertamente “não deve ser interpretada como recuo.”

Um alto funcionário iraniano disse à Reuters que o país não reabrirá o estreito como parte de uma trégua temporária e não aceitará prazos enquanto analisa a proposta. Teerã também indicou anteriormente que não suspenderá seus ataques enquanto Washington não atender às suas exigências centrais: reparações financeiras e garantias formais de que não será atacado novamente.

O prazo de Trump

O presidente Donald Trump fixou um prazo para que o Irã fizesse um acordo e reabrisse o Estreito. Em postagens no Truth Social no domingo, Trump ameaçou ataques à infraestrutura de energia e transporte iraniana. “Abram o maldito estreito, seus malucos, ou vocês vão viver no inferno”, escreveu. Em seguida, detalhou os alvos: “Terça-feira será o dia das usinas e das pontes, tudo junto, no Irã. Não haverá nada igual.”

O prazo final foi estipulado para terça-feira às 21h (horário de Brasília). Ele também convocou uma entrevista coletiva prevista para esta segunda às 14h.

Continua depois da publicidade

Ameaça iraniana de retaliação

O Irã respondeu às ameaças de Trump com sua própria advertência. O porta-voz do comando militar iraniano afirmou, segundo a mídia estatal de Teerã, que “se ataques a alvos civis forem repetidos, as próximas etapas de nossas operações ofensivas e retaliatórias serão muito mais devastadoras e abrangentes.”

Impacto nos mercados

O conflito está em curso desde 28 de fevereiro, quando EUA e Israel iniciaram ataques contra o Irã. Mais de 1.340 pessoas morreram até agora, incluindo o então líder supremo Ali Khamenei. Em resposta, o Irã fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural. O petróleo Brent era negociado na casa de US$ 109 o barril na manhã desta segunda-feira, alta de aproximadamente 65% em relação aos níveis anteriores ao conflito.

O Irã sustenta que o estreito está aberto, mas veda a passagem de embarcações vinculadas a EUA, Israel ou países percebidos como aliados na guerra. Navios de outros países, incluindo exportações de petróleo para a China, têm recebido autorização mediante pagamento. No fim de semana, o fluxo no estreito foi o maior desde os primeiros dias da guerra.

Continua depois da publicidade

Após as ameaças de Trump no domingo, os mercados futuros abriram em queda e o petróleo em alta, mas o movimento se inverteu nesta manhã com a expectativa por um acordo que encerre a guerra. O petróleo também teve leve recuo, com o WTI a cerca de US$ 110 o barril.

Ataques continuam

Ataques aéreos prosseguiram na região ao longo desta segunda-feira. Autoridades iranianas relataram bombardeios em várias cidades, incluindo a capital Teerã, com 25 mortes atribuídas a alvos considerados civis, entre eles a Praça Azadi e o campus da Universidade de Tecnologia Sharif. Os números não puderam ser verificados de forma independente. Em Haifa, duas pessoas foram encontradas mortas nos escombros de um prédio destruído por mísseis iranianos, com buscas em andamento por outros dois desaparecidos.

Kuwait e Emirados Árabes Unidos acionaram seus sistemas de defesa aérea na manhã desta segunda em resposta a ameaças detectadas na região. Anwar Gargash, assessor do presidente dos Emirados, afirmou que qualquer acordo de paz deve garantir o livre acesso pelo Estreito de Ormuz.

Continua depois da publicidade