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HFT domina o day trade? Entenda por que você não compete com robôs

Alta frequência domina a execução, mas a vantagem do trader está na estratégia e não na velocidade

Bruno Nadai

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O avanço da tecnologia transformou profundamente a dinâmica do mercado financeiro — especialmente no day trade. Hoje, o conceito de High Frequency Trading (HFT) ainda gera dúvidas, mitos e até receio entre traders pessoa física. No entanto, compreender esse ambiente se tornou essencial para quem busca consistência.

Diante disso, o tema ganhou protagonismo durante a Expert Trader XP, onde Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3, Rodrigo Malacarne, CEO da OnTick Invest, e JP Costa, trader profissional, participaram do painel “HFT: O que é, como funciona e contra o que você está lutando”. Portanto, o debate trouxe clareza sobre o papel dos algoritmos e seu impacto real no dia a dia do trader.

Nesse contexto, os especialistas desmontaram a ideia de que o investidor de varejo está “lutando contra máquinas” e reforçaram que o verdadeiro desafio está na escolha da estratégia e no entendimento do jogo.

Leia mais: Expert Trader XP redefine o padrão do trading no Brasil e projeta 2ª edição para 2027

HFT na prática

Antes de mais nada, identificar a presença de HFT no mercado exige leitura prática do fluxo. Nesse sentido, a dinâmica do book de ofertas é um dos principais sinais observados pelos traders experientes.

Além disso, a velocidade das ordens e a repetição de padrões ajudam a diferenciar atuação humana de algoritmos.

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JP Costa, trader profissional, durante o painel HFT O que é, como funciona e contra o que você está lutando – Expert Trader XP 2026. Imagem: Bruno Nadai

“Então, quando você olha para o book, você vê uma frequência realmente muito alta de apregoação. Você vê quantidades e corretoras apregoando, entrando no book, numa velocidade muito grande, entrando e saindo, fechando o negócio, que você já bate o olho e já vê que não é na mão”

— JP Costa, trader profissional

Por outro lado, em momentos de eventos macroeconômicos relevantes, essa dinâmica muda completamente. Portanto, a ausência temporária desses algoritmos pode gerar movimentos mais bruscos no preço. “Às vezes sai um dado e o índice mexe mil pontos para cima, para baixo, o que é isso? Não tem HFT. Nessa hora, o book está ralo”, observa JP.

Liquidez e evolução

Com o avanço tecnológico, o papel do HFT foi além da execução rápida — ele passou a ser peça central na formação de liquidez do mercado. Nesse sentido, a evolução da infraestrutura da bolsa foi determinante.

Além disso, o crescimento do volume negociado evidencia essa transformação estrutural ao longo dos anos.

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Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3, durante o painel HFT O que é, como funciona e contra o que você está lutando – Expert Trader XP 2026. Imagem: Bruno Nadai

“Hoje esses algoritmos rodam lá no nosso data center. Eles são responsáveis por quase 30% do volume”

— Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3

Consequentemente, o mercado se tornou mais eficiente e acessível para todos os participantes. “Eles estão praticamente em todo o mercado para trazer essa liquidez e essa fluidez nos nossos mercados da B3”, explica Paiva.

Além disso, a própria supervisão do mercado evoluiu com o uso de tecnologia avançada. Segundo Paiva, o monitoramento das operações ocorre em tempo real, inclusive com apoio de inteligência artificial.

“A gente tem inteligência artificial que roda esse tipo de controle. Ela olha o que está acontecendo com esse preço, com esse papel em tempo real e quem está atuando”

— Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3

Além disso, Paiva explica que há uma diferença estrutural relevante entre o Brasil e outros mercados globais, especialmente em termos de transparência. Portanto, no ambiente da B3, é possível identificar exatamente quem está por trás de cada ordem enviada ao mercado. “Quando as ordens chegam no pregão, a gente sabe exatamente de quem é aquela ordem”, ressalta.

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Por outro lado, em mercados internacionais como os Estados Unidos, essa rastreabilidade é diferente. Assim, as ordens chegam identificadas apenas pela corretora, sem detalhamento do investidor final. “Nos Estados Unidos, a ordem é sempre da corretora. Então, é a corretora que dispara a ordem e não se sabe quem é o cliente”, afirma Paiva.

Leia também: Traders elevam liquidez e ampliam interesse pela Bolsa, diz Benchimol, da XP

Competição real

Apesar da percepção comum, o trader pessoa física não compete diretamente com HFTs. Pelo contrário, a disputa ocorre em níveis completamente distintos de estratégia e horizonte temporal.

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Além disso, tentar operar no mesmo espaço dos algoritmos tende a ser um erro estratégico relevante.

“Eu não me vejo jogando principalmente contra HFT, porque isso é uma briga perdida”

— JP Costa, trader profissional

Nesse sentido, a adaptação é o principal diferencial para o trader individual. Portanto, segundo JP, entender onde atuar dentro do mercado se torna mais importante do que tentar competir com tecnologia. “Você tem que olhar o mercado, analisar, aprofundar e tentar buscar melhores momentos para você entrar”, orienta.

Além disso, algumas estratégias tradicionais simplesmente deixaram de fazer sentido nesse novo ambiente. Portanto, operações extremamente curtas passaram a ser dominadas pelos algoritmos.

“Esse trade curtíssimo. Esquece, não vai ter. O HFT quer pegar sempre o de 5 pontos”

— JP Costa, trader profissional

Nesse contexto, é fundamental quebrar um dos principais mitos do mercado: o HFT não é um inimigo do trader pessoa física, mas sim parte da própria infraestrutura que garante liquidez e funcionamento eficiente das negociações.

Leia também: RLP na prática: como funciona e qual impacto na execução das ordens dos investidores

Definição de HFT

Um dos pontos centrais do debate foi justamente esclarecer o que, de fato, caracteriza um HFT — já que o termo é frequentemente usado de forma equivocada.

Além disso, muitos traders confundem robôs simples com operações de alta frequência, o que distorce a compreensão do mercado. “Se você faz 20 mil negócios por dia, você também não é um HFT”, explica Malacarne.

Nesse contexto, a definição correta está ligada à latência e previsibilidade de execução, e não à quantidade de operações.

Rodrigo Malacarne, CEO da OnTick Invest, durante o painel HFT O que é, como funciona e contra o que você está lutando – Expert Trader XP 2026. Imagem: Bruno Nadai

“A definição óbvia da letra, é realmente você ter um algoritmo onde o jitter, a latência da execução, ela é altamente previsível e muito baixa. Isso é um HFT. Você pode mandar uma única ordem por dia. e essa ordem executa sempre num tempo 100% previsível, com uma média muito baixa, um padrão baixíssimo, é um HFT”

— Rodrigo Malacarne, CEO da OnTick Invest

Portanto, estamos falando de um nível tecnológico extremamente avançado, baseado em execução em microsegundos, inacessível para o investidor de varejo tradicional. “A gente está falando de microssegundos. Se você manda uma ordem e executa em 50, 100 microsegundos, toda vez que você manda, você pode ser considerado um HFT”, reforça Malacarne.

Leia também: IA e traders: ameaça ou aliada? Veja como aproveitar na prática a tecnologia

Futuro do trading

O avanço da tecnologia, aliado à inteligência artificial, tende a aprofundar ainda mais essa diferença estrutural entre estratégias. No entanto, isso não significa perda de espaço para o trader pessoa física.

Felipe Paiva, Rodrigo Malacarne e JP Costa durante o painel HFT O que é, como funciona e contra o que você está lutando – Expert Trader XP 2026. Imagem: Bruno Nadai

Além disso, a tendência aponta para operações mais seletivas e menos frequentes.

“Eu espero cada vez mais fazer menor quantidade de operações, entradas mais precisas e estar brigando cada vez menos com o mercado em geral. Acredito que até esse trade de 30, 40 pontos, ele vai ficar cada vez mais difícil, Eu espero fazer cada vez mais operações, mais longas”

— JP Costa, trader profissional

Por outro lado, a própria bolsa já observa novas frentes de evolução no mercado. “A gente está olhando muito para isso, mercados preditivos”, revela Paiva.

Assim, o futuro do trading passa menos pela velocidade e mais pela inteligência estratégica. Portanto, compreender o ambiente e adaptar o operacional continuará sendo o verdadeiro diferencial competitivo.

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