Reajuste de planos é ruim para setor de saúde, mas pior ainda para Hapvida; entenda

Ao se tornar "ponto fora da curva", analistas do Morgan Stanley ajustam projeção do setor, que deve recuar para 5,1% em 2026 e pressiona ações da operadora após disparada de custos

Victória Anhesini

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Divulgação)
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O setor de saúde suplementar recebeu nesta semana o último dado necessário para o cálculo do Índice de Reajuste de Planos Individuais (IRPI) de 2026. De acordo com o cenário desenhado por analistas do Morgan Stanley, o resultado é negativo para as operações, mas especialmente para a Hapvida (HAPV3).

Com a divulgação da lista de exclusões da ANS (Agência Nacional de Saúde) por inconsistência de dados, a maior subsidiária da Hapvida foi reclassificada como um “ponto fora da curva”, na visão do Morgan Stanley, derrubando a estimativa de reajuste do teto do setor. As ações da Hapvida caíam mais de 3% no início da sessão, mas viraram para alta de cerca de 1% no fim da manhã, seguindo a melhora do mercado brasileiro.

“Estimamos um teto de 5,1% para 2026, no limite inferior da nossa faixa de projeção anterior, uma vez que a tendência de custos elevados da Hapvida tornou-se um ponto fora da curva após a última divulgação de dados, removendo sua contribuição positiva para o cálculo regulatório”, diz relatório do Morgan Stanley.

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O efeito Hapvida no cálculo da ANS

O cálculo do IRPI é baseado na Variação das Despesas Assistenciais (VDA) das operadoras. Para evitar distorções, a ANS exclui empresas com variações excessivamente altas ou baixas. Neste caso, a principal subsidiária da Hapvida, que possui cerca de um milhão de beneficiários e representa 14% do segmento individual, registrou um crescimento de custo per capita de 35,2% em 2025.

Inicialmente, esse número estava dentro do limite de corte, o que elevaria o reajuste médio do setor para 7,8%. Porém, a atualização da lista de operadoras excluídas pela ANS alterou os quartis estatísticos, reduzindo o limite de corte de 36,9% para 34,3%. Com isso, a Hapvida foi oficialmente deixada de fora do cálculo ponderado.

“Dada a escala significativa da subsidiária da Hapvida e a natureza do cálculo ponderado pelo volume, o IRPI deve reduzir consideravelmente para 5,1%”, explicam os analistas. Além disso, eles reforçam que, sem a exclusão da operadora, o ajuste permitido para todo o setor seria quase três pontos percentuais maior.

Impacto nos resultados

O modelo desenvolvido pelos analistas do Morgan Stanley já trabalhava com o cenário de 5,1%, mas a confirmação desse teto mais baixo representa uma pressão adicional para as ações da Hapvida. O banco ressalta que as expectativas do mercado ainda parecem otimistas demais quando se trata do lucro da companhia para este ano.

A projeção de lucro líquido do banco para a Hapvida em 2026 é de R$ 224 milhões, valor significativamente menor que os R$ 430 milhões esperados pelo consenso do mercado, segundo o Morgan Stanley.

O banco agora vê uma alta probabilidade de que os reajustes de preços individuais fiquem no limite inferior da faixa de previsão anterior. “Destacamos que nossa estimativa de Lucro Líquido para 2026 permanece significativamente abaixo do consenso atual, sugerindo que o mesmo pode estar incorporando um resultado de precificação mais otimista”, aponta o relatório.

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Previsões para 2026

Os analistas reitaram que o ponto do reajuste é apenas uma das frentes de pressão que a Hapvida deve enfrentar. No relatório, eles afirmam que “o inverno está chegando” para a companhia, listando quatro desafios críticos para o ano:

“Acreditamos que 2026 está se desenhando como um ano cada vez mais difícil. Isso adiciona outra camada de pressão para um ano que se desenha fraco”, conclui o Morgan Stanley.