Mulheres quitam dívidas 11,6% mais que homens mesmo com renda menor

Levantamento da fintech Neon analisou o comportamento de clientes entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, apontando que elas mantiveram desempenho superior na reorganização financeira

Anna França

(Unsplash)
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Mulheres quitam dívidas 11,6% mais que homens mesmo com renda menor. Este é o resultado de um pesquisa feita pela fintech Neon que mostra ao mercado de crédito que, mesmo com um participação menor na contratação de empréstimos e renda inferior, as mulheres apresentam maior compromisso na regularização de dívidas.

O levantamento analisou o comportamento de clientes entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 e aponta que, ao longo de todo o período, elas mantiveram desempenho superior na reorganização das pendências financeiras.

O resultado é ainda mais relevante quando se observa que os homens dominam a carteira de crédito pessoal. Cerca de 70% dos contratos dessa modalidade estão concentrados no público masculino, enquanto as mulheres ainda são minoria nesse tipo de operação.

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Mesmo assim, são elas que lideram a regularização de dívidas em atraso superior a dez dias, um indicador importante de disciplina financeira em cenários de aperto no orçamento.

Comportamento financeiro

Para Daiane Alves, educadora financeira da Neon, o dado reforça um padrão já observado em outras pesquisas de educação financeira. “De modo geral, as mulheres tendem a ter uma postura mais cautelosa e organizada na gestão do dinheiro. Muitas vezes, quando recorrem ao crédito, já entram com uma preocupação maior em reorganizar o orçamento e quitar ou renegociar dívidas o quanto antes”, explica.

Na prática, isso sugere que o diferencial não está necessariamente na renda, mas na forma de gestão dos recursos.

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Desigualdade salarial

O comportamento ganha ainda mais peso diante do cenário de desigualdade no mercado de trabalho. Dados do Ministério do Trabalho mostram que as mulheres recebem, em média, 21,2% menos que os homens no setor privado. Ou seja, mesmo com menor renda disponível, elas apresentam melhor desempenho na regularização de dívidas, um contraste que reforça o papel da mulher na organização financeira no equilíbrio das contas das famílias.

Vale lembrar que, segundo dados do IBGE, mais da metade dos lares brasileiros (52%) são chefiados por mulheres atualmente. Nas classes mais baixas esse número é ainda maior. O Ministério de Desenvolvimento Social informa que cerca de 71% dos domicílios beneficiários do Bolsa Família são chefiados por mulheres. O dado revela o protagonismo feminino na melhora das condições de vida no país.

“Responsabilidade financeira não está diretamente ligada ao quanto se ganha, mas à forma como se administra o dinheiro”, diz Daiane Alves.

Acesso ao crédito

O levantamento também aponta para um desafio estrutural que é de ampliar o acesso ao crédito. “No entanto, ampliar a inclusão não é apenas colocar mais pessoas dentro do sistema, mas garantir que elas consigam usar o crédito de forma sustentável”, afirma a especialista.

Embora as mulheres demonstrem maior disciplina na gestão das dívidas, ainda enfrentam barreiras de renda e acesso que limitam seu uso do sistema financeiro.

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Nesse contexto, a especialista destaca que autonomia financeira passa também por ferramentas que ajudem as mulheres no controle do orçamento.

Entre as práticas recomendadas por Daiane estão:

Anna França

Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro