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A celebração do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, não ocorreu neste ano após autoridades israelenses impedirem a entrada do Patriarca Latino da cidade, cardeal Pierbattista Pizzaballa, e de um sacerdote responsável pelo local. Segundo o Patriarcado Latino, é a primeira vez em séculos que líderes católicos são barrados de realizar a missa na data.
O episódio ocorre em meio às restrições impostas por Israel após a escalada do conflito no Oriente Médio. Desde o fim de fevereiro, as autoridades limitaram reuniões públicas a cerca de 50 pessoas, medida que atinge celebrações religiosas em sinagogas, igrejas e mesquitas.
Em comunicado, o Patriarcado classificou a decisão como desproporcional e afirmou que a proibição representa um precedente grave. “Impedir a entrada do cardeal e do custódio […] constitui uma medida claramente irrazoável”, diz o texto, que também menciona o impacto simbólico do episódio para fiéis ao redor do mundo.
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Localizada na Cidade Velha de Jerusalém, a Igreja do Santo Sepulcro é considerada um dos principais pontos sagrados do cristianismo, associada à crucificação e ao sepultamento de Jesus, segundo a tradição. O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, período central no calendário religioso cristão.
A celebração deste ano já havia sido afetada por decisões anteriores. O Patriarcado cancelou a tradicional procissão que parte do Monte das Oliveiras e costuma reunir milhares de pessoas.
O episódio se soma a outras restrições recentes. No início do mês, forças israelenses também impediram fiéis muçulmanos de realizar celebrações na mesquita de Al-Aqsa durante o Ramadã, o que gerou críticas de países árabes e de organizações internacionais.
Itamaraty condena proibição
No final da tarde de domingo, o governo brasileiro condenou oficialmente a ação da polícia israelense de impedir acesso dos clérigos à Igreja do Santo Sepulcro. “Essa ação ocorre na sequência da imposição, por autoridades israelenses, ao longo das últimas semanas, de restrições à entrada de fiéis cristãos no referido santuário, assim como de fiéis muçulmanos, durante o Ramadã, na Esplanada das Mesquitas (“Haram Al-Sharif”), também em Jerusalém Oriental”, lembrou o Itamaraty.
Ao registrar “a extrema gravidade de tais ações recentes, contrárias ao status quo histórico dos sítios sagrados cristãos e islâmicos de Jerusalém e ao princípio da liberdade de culto”, o Brasil lembrou o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024, “o qual concluiu que a continuada presença de Israel no Território Palestino Ocupado é ilícita e que aquele país não está habilitado a exercer soberania em nenhuma parte do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental.”

