Lula e Sheinbaum vão manter apoio à candidatura de Bachelet na ONU

Governos de Lula e Sheinbaum reafirmam apoio à ex-presidente chilena para sucessão de Guterres; disputa conta com quatro nomes oficiais e debate em abril

Estadão Conteúdo

FOTO DE ARQUIVO: A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, participa de sua última coletiva de imprensa antes do término de seu mandato na ONU, em Genebra, Suíça, em 25 de agosto de 2022. REUTERS/Pierre Albouy/Foto de Arquivo
FOTO DE ARQUIVO: A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, participa de sua última coletiva de imprensa antes do término de seu mandato na ONU, em Genebra, Suíça, em 25 de agosto de 2022. REUTERS/Pierre Albouy/Foto de Arquivo

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Brasil e México vão patrocinar sozinhos a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet a secretária-geral das Nações Unidas (ONU), após a retirada formal do Chile.

Ao reagir à decisão do governo de José Antonio Kast, Bachelet disse que pretendia seguir a postulação de forma independente, com apoio dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Claudia Sheinbaum.

“Continuarei o trabalho conjunto com os governos do Brasil e do México, que postularam meu nome, reafirmando a natureza coletiva deste projeto”, disse a ex-presidente, na terça-feira, dia 24.

Um dia depois, a presidente mexicana afirmou no Palácio Nacional que manteria o apoio a Bachelet e que a considera “a pessoa ideal para liderar as Nações Unidas”, porque ela te tem “uma visão para a reconstrução das Nações Unidas como um órgão internacional de resolução de conflitos”.

“Continuaremos a apoiá-la. Terei uma conversa com ela em breve. Veremos se o Brasil também mantém esse apoio”, disse Sheinbaum, na quarta-feira, dia 25.

Embaixadores do governo brasileiro, ouvidos no Itamaraty e no Palácio do Planalto, indicaram que o governo vai manter endosso à campanha da chilena.

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Segundo eles, não houve mudança de rota no governo e faz todo o sentido dar sustentação à candidatura da ex-presidente

Não houve ainda uma manifestação pública do presidente Lula. Segundo um integrante do governo, isso ocorreu por causa da agenda doméstica dele e de uma “cortesia diplomática”, em função da conturbada reação política interna no Chile à decisão de Kast.

O petista buscava criar uma relação próxima e pragmática com Kast, e ainda tenta evitar rusgas. O conservador reclamou do lançamento de Bachelet no fim do governo Gabriel Boric, sem uma discussão prévia com a nova gestão, e pedia uma discussão presencial com Lula e Sheinbaum, como mostrou o Estadão.

Lula faltou à posse de Kast depois de o chileno estender convite ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), virtual adversário do petista nas eleições presidenciais. Lula escreveu uma carta a ele convidando o chileno a visitar Brasília.

Debate e retirada

A ONU agendou para o dia 20 de abril o primeiro debate, em Nova York, entre os candidatos. Eles disputam para suceder a partir de 2027 o atual secretário-geral, o português António Guterres.

A Assembleia Geral da ONU comunicou nesta quinta-feira, dia 26, que o governo de Maldivas retirou o apoio à candidatura da diplomata argentina Virginia Gamba. Com isso, restam, até o momento, quatro candidatos no páreo:

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Para integrantes do governo Lula, no entanto, a proliferação de candidatos deve fazer com que novos nomes se apresentem até o fim do primeiro semestre, quando a eleição deve ser definida no Conselho de Segurança da ONU.