AMER3: Americanas salta 12% após pedir fim da RJ, vender ativos e divulgar resultados

Varejista teve prejuízo líquido de R$ 44 milhões no quarto trimestre, reduzindo resultado negativo de R$ 586 milhões sofrido no final de 2024

Lara Rizério Agências de notícias

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Lojas Americanas em Brasília (Reuters)
Lojas Americanas em Brasília (Reuters)

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As ações da Americanas (AMER3) registraram fortes ganhos na sessão desta quinta-feira (26), após pedir encerramento da recuperação judicial, vender ativos e divulgar seus resultados do quarto trimestre de 2025. Após chegarem a subir cerca de 20%, as ações fecharam com ganhos de 12,62%, a R$ 5,80 nesta quinta.

A varejista solicitou saída do processo de recuperação judicial (RJ) na noite desta quarta, com o pedido sendo protocolado junto à 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro. O pedido foi feito “tendo em vista o cumprimento de todas as obrigações previstas no plano de recuperação judicial com vencimento até dois anos após a homologação do plano”. A RJ foi homologada em fevereiro de 2024.

A Americanas ainda anunciou a venda da Único, dona das franquias Imaginarium, Puket, Lovebrands e Casa Mind, para o grupo BandUp!, dono da rede Piticas, de confecção e acessórios infantis, por R$ 152,9 milhões.

Sobre os resultados, a varejista teve prejuízo líquido de R$ 44 milhões no quarto trimestre, reduzindo resultado negativo de R$ 586 milhões sofrido no final de 2024, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira.

O resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado ficou em R$276 milhões, avanço de 1,9% sobre o quarto trimestre do ano anterior. Já a receita líquida de outubro ao final de dezembro caiu 3,8% no período, para R$3,69 bilhões, segundo o balanço.

“Temos dentro do resultado o peso ainda de algumas atividades que estamos vendendo ou descontinuando”, disse Sebastien Durchon, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, em entrevista à Reuters, citando fechamento de lojas em 2025, que geraram perdas em vendas mas, também, diminuíram despesas.

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A empresa, espera sair do processo de recuperação judicial ainda neste ano. “Queremos sair o quanto antes”, disse o diretor financeiro. Até o ano passado, a empresa vinha citando expectativa de sair da reestruturação em fevereiro deste ano.

As vendas brutas no conceito mesmas lojas apresentaram crescimento de 7,8% no quarto trimestre. A empresa encerrou 2025 com 1.470 lojas, sendo 906 convencionais e 564 “express”, ante 1.587 em 2024.

Atualmente, a varejista afirma que possui 44 milhões de clientes ativos, com uma média de 90 milhões de visitas mensais nas lojas físicas, site e aplicativo. Este ano, a Americanas fez três inaugurações de lojas, todas no Nordeste: Aquiraz (CE), Aracaju (SE) e Camaçari (BA).

“Não é uma estratégia de expansão. Essas praças foram vistas como oportunidade, tendo em vista o crescimento econômico e de fluxo. Estamos acompanhando o mercado”, disse Durchon.

Para Max Mustrangi, CEO da Excellance, a empresa conseguiu, até aqui, cumprir etapas importantes do plano de recuperação ao reduzir significativamente a pressão sobre o caixa no curto prazo.

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O analista aponta que a Americanas recebeu uma injeção de cerca de R$ 12 bilhões por parte dos acionistas, além de uma conversão relevante de dívidas em participação societária por bancos credores. Paralelamente, a varejista renegociou prazos com diversos credores, postergando vencimentos para horizontes mais longos. Esse conjunto de medidas, afirma Mustrangi, permitiu à companhia diminuir de forma expressiva a saída de caixa e equalizar sua posição financeira no curto prazo, honrando os compromissos previstos até o momento.

O especialista pondera, no entanto, que os desafios estruturais permanecem. Apesar do alívio imediato, a empresa ainda carrega uma dívida significativa renegociada para o futuro e precisa, ao mesmo tempo, sustentar a operação no dia a dia. “O problema original da Americanas não foi apenas financeiro, mas operacional”, avalia. Segundo ele, antes da crise, a companhia operava com lucratividade negativa, mascarada por práticas contábeis que distorciam o real desempenho do negócio.

Para que a recuperação se sustente no médio e longo prazo, Mustrangi afirma que será essencial a retomada de uma operação genuinamente lucrativa, capaz não apenas de financiar o funcionamento cotidiano, mas também de gerar caixa excedente para o pagamento das dívidas herdadas. Nesse cenário, linhas de crédito mais longas e baratas poderiam ajudar a monetizar o caixa e dar fôlego adicional ao processo.

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(com Reuters)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.