ONCO3: JPMorgan mantém cautela em relação à Oncoclínicas apesar de parceria

Banco projeta que valor da companhia pode ser inferior ao de mercado mesmo com alívio de passivos na NewCo

Victória Anhesini

Ativos mencionados na matéria

Oncoclínicas (Divulgação)
Oncoclínicas (Divulgação)

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A proposta de criação de uma nova empresa de oncologia (NewCo) em parceria com a Porto Seguro (PSSA3) e o Fleury (FLRY3) trouxe fôlego momentâneo para as ações da Oncoclínicas (ONCO3), mas não foi suficiente para alterar a visão dos analistas do JPMorgan.

Em relatório publicado nesta quarta-feira (25), o banco reiterou sua recomendação de venda das ações (underweight, exposição abaixo da média do mercado), afirmando que mesmo com a segregação de ativos e a entrada de capital estratégico, o valor intrínseco da companhia pode ser inferior aos patamares atuais de mercado.

A movimentação ocorre após um início de semana de extrema volatilidade para o papel: na última segunda-feira (23), as ações saltaram 57% com o anúncio dos estudos da parceria, seguidas por uma queda de 20% no pregão de ontem, refletindo a digestão dos termos do negócio pelos investidores. Às 10h37 (horário de Brasília) desta quarta, os papéis da Oncoclínicas subiam 5,61%, a R$ 2,07.

Lógica da transação

Na visão dos analistas do mercado financeiro, a estratégia de realizar um carve-out – ou seja, a segregação de ativos – da plataforma de clínicas é clara e positiva do ponto de vista operacional. 

Leia mais: Fleury se une com Porto Seguro e Oncoclínicas para potencial criação de nova empresa

Neste caso, segundo o relatório do JPMorgan, a transação permitiria a movimentação de até R$ 2,5 bilhões em passivos para a nova estrutura, aliviando o balanço da Oncoclínicas. 

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“A transação segregaria a plataforma de clínicas, traria capital novo de parceiros estratégicos e simplificaria a história do balanço patrimonial ao mover uma parcela relevante dos passivos para a nova estrutura”, diz o documento.

Com a nova configuração, as ações da Oncoclínicas deixam de representar a propriedade direta da estrutura consolidada para se tornarem uma participação indireta na NewCo, somada ao valor residual de ativos hospitalares não essenciais e recebíveis que permanecerão na empresa listada.

Potencial de queda

De acordo com os cálculos do JPMorgan, mesmo com possível melhora teórica na estrutura de capital, o valor de mercado implícito da Oncoclínicas após o negócio pode decepcionar.

O banco realizou uma análise de sensibilidade utilizando um múltiplo de 4 a 8 vezes o Valor empresarial/Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para a nova operação.

Os principais pontos da análise incluem:

“Nosso cálculo rápido implica que há um potencial de queda em relação aos preços atuais, mesmo sob premissas mais construtivas para a ONCO3 e a NewCo em uma base pós-negócio”, afirma o texto. 

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A faixa de valor de mercado implícito calculada pelo banco varia de R$ 692 milhões a R$ 3,2 bilhões, dependendo do múltiplo aplicado, o que, na visão dos analistas, sustenta a visão de que o papel segue caro nos níveis atuais.

Além do desafio do valuation, os analistas ressaltam que a visibilidade sobre o caixa e equivalentes da Oncoclínicas permanece limitada devido à situação envolvendo o Banco Master, o que adiciona uma camada de risco à tese. 

A análise feita pelo JPMorgan é considerada conservadora, pois não incorpora potenciais ganhos com ativos fiscais ou uma recuperação de recebíveis mais favorável do que o previsto, mas também não aplica um “desconto de holding” que geralmente incide sobre empresas que detêm participações em outras operações.

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