Presidente alemão chama guerra no Irã de erro desastroso em rara repreensão a Trump

Frank-Walter Steinmeier afirma que conflito viola o direito internacional e marca ruptura profunda nos laços com os EUA

Reuters

Frank-Walter Steinmeier, presidente da Alemanha, em Berlim (Foto: Annegret Hilse/Reuters)
Frank-Walter Steinmeier, presidente da Alemanha, em Berlim (Foto: Annegret Hilse/Reuters)

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BERLIM, 24 Mar (Reuters) – A guerra contra o ⁠Irã é um ‘erro desastroso’ que viola o direito internacional, ‌disse o presidente da Alemanha na terça-feira, em uma repreensão incomumente contundente à política externa do presidente dos ‌EUA, Donald Trump, que, segundo ele, marcou uma ruptura nos laços alemães com seu maior aliado do pós-guerra.

Em um ataque verbal contundente, Frank-Walter Steinmeier, cujo papel amplamente cerimonial permite que ele fale mais livremente do que os políticos, ⁠adotou ‌uma linha muito mais crítica do que o chanceler ⁠Friedrich Merz, que se esquivou de questões sobre a legalidade da guerra.

‘Nossa política externa não se torna mais convincente só porque não chamamos uma violação do direito internacional de violação do direito internacional’, disse Steinmeier, ​ex-ministro das Relações Exteriores do Partido Social Democrata, de centro-esquerda, em um discurso no Ministério das Relações Exteriores.

‘Precisamos ​abordar isso com relação à guerra no Irã. Pois, em minha opinião, essa guerra é contrária ao direito internacional’, afirmou ele, acrescentando que tinha poucas dúvidas de que a justificativa da natureza iminente de um ‌ataque a alvos norte-americanos não se sustentava.

Chamando ​a guerra de desnecessária e um ‘erro politicamente desastroso’, Steinmeier disse que o segundo mandato de Trump marcou uma ruptura nas relações exteriores alemãs ⁠tão profunda quanto ​a invasão da ​Ucrânia pela Rússia.

‘Assim como acredito que não haverá volta nas relações com ⁠a Rússia antes de 24 de ​fevereiro de 2022, também acredito que não haverá volta nas relações transatlânticas antes de 20 de janeiro de 2025’, declarou ​Steinmeier.

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A Alemanha tem enfatizado a importância de criar alternativas à tecnologia dominada pelos EUA, à medida ​que crescem as ⁠preocupações com o acesso aos EUA.

A China voltou a ser o principal parceiro ⁠comercial da Alemanha nos primeiros oito meses de 2025, ultrapassando os EUA, já que as tarifas mais altas pesaram sobre as exportações alemãs. O comércio entre EUA e Alemanha totalizou mais de 163 bilhões de euros (US$190 bilhões) durante esse ​período.