O que você pode aprender com a startup Viver de IA, que projeta faturar R$ 100 milhões em 2026

E se a verdadeira revolução do nosso tempo for justamente não precisar do dinheiro de ninguém?

Filipe Callil

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Os fundadores da Viver de IA Yago Martins e Rafael Milagre (Foto: Divulgação)
Os fundadores da Viver de IA Yago Martins e Rafael Milagre (Foto: Divulgação)

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Por muito tempo, o ápice do sucesso para quem criava um negócio parecia ser um só: levantar uma rodada milionária de investimentos. Mas e se a verdadeira revolução do nosso tempo for justamente não precisar do dinheiro de ninguém?

Quando comecei a empreender, em meados de 2012, conseguir um cheque de uma Venture Capital era, antes de tudo, uma questão de sobrevivência prática. Toda startup era uma fornalha devoradora de caixa lutando por tração. Mas, no fundo, o aporte também funcionava como um selo de aprovação: a constatação inebriante de que alguém, além de você e dos seus sócios, estava comprando aquele bilhete para o sonho do unicórnio.

Lembro perfeitamente do frio na barriga e da euforia quando consegui o meu primeiro aporte. Na época, os investidores-empreendedores Ricardo Marques (um dos fundadores da Elemidia, vendida para o Grupo Abril) e Fátima Pissarra tinham acabado de juntar forças para trazer a operação da Vevo ao Brasil.

Eles decidiram integralizar a ClapMe, minha primeira startup, dentro do vibrante ecossistema de negócios que criaram – o mesmo celeiro de onde, mais tarde, brotaram gigantes do marketing de influência, como a Spark e a Mynd8. Mas por que corríamos tanto atrás desse dinheiro? A resposta era matematicamente cruel: construir produto, erguer infraestrutura tecnológica, montar um exército comercial e despejar rios de dinheiro em marketing custava uma fortuna. Tudo era denso, lento e absurdamente caro. E olha que não estou falando de uma época remota quando a imagem da TV ainda era preta e branca, mas, sim, da década passada.

Só que uma combinação de fatores tem mudado essa regra. E se antes tudo dependia quase que exclusivamente de dinheiro na conta, agora, existem alternativas.

Por exemplo:

Imagine, então, criar uma solução que combine todos esses exemplos?

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Do zero aos 100 milhões

É aqui que entra o case inspirador da Viver de IA. Adotando o conceito “AI first”, os fundadores Rafael Milagre e Yago Martins construíram e tracionaram uma solução a toque de caixa.

Em apenas seis meses de produto no ar, a empresa bateu R$ 21 milhões de receita. Tudo isso de forma 100% orgânica, operando no azul desde os primeiros meses e sem uma única rodada de investimento externo.

O segredo?

A startup pulverizou a necessidade de capital intensivo inicial ao unir forças com nomes que dominam o jogo da atenção corporativa: Tallis Gomes, Alfredo Soares e Bruno Nardon, fundadores do G4 Business. Essa aliança fundiu a capacidade técnica de produto com a audiência qualificada.

O resultado?

Uma otimização brutal na curva de aprendizado e também no custo de aquisição de clientes (as mesmas empresas atendidas pelo G4).

Além disso, eles entenderam que o empresário não quer comprar jargão técnico de desenvolvedor; ele quer comprar (vale memorizar essa parte) aumento de receita, redução de custos e eficiência.

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Na prática, a startup funciona como uma plataforma de educação que ajuda os clientes a implementarem Inteligência Artificial no dia a dia corporativo. E a grande sacada é que, uma vez que a empresa destrava esse conhecimento e integra o aprendizado à execução, a Viver de IA consegue ir além: com o uso de ferramentas proprietárias, como o “Builder”, eles ajudam esses mesmos clientes a desenvolverem outras soluções, frameworks estruturados e produtos inteiramente novos. É um ecossistema que educa, aplica e escala junto com o usuário.

Entregando soluções plug-and-play e um modelo de assinatura anual com ticket médio de R$ 3.500 mensais, já engataram mais de 1200 empresas no portfólio, incluindo pesos-pesados como a WEG e a própria G4.

Mas a cereja desse bolo tecnológico é a operação por trás das cortinas. Rafael concebeu a plataforma inteira em apenas 90 dias, utilizando IA, sem escrever uma única linha de código tradicional. Usando a ferramenta Lovable, ele entregou sozinho o que uma equipe de 8 desenvolvedores levaria, possivelmente, mais de 18 meses e R$ 2,5 milhões para produzir.

Abre parênteses.

Para você ter ideia da assimetria de eficiência que o mundo vive hoje: a Viver de IA conta com mais de 40 colaboradores, mas opera com apenas um desenvolvedor dedicado ao produto.

Fecha parênteses.

O plano dos caras não é modesto. A meta é fechar 2026 com R$ 100 milhões em faturamento, mantendo margens de lucro acima de 30%. Mais do que isso: ambicionam ser a startup brasileira a atingir o valuation de R$ 1 bilhão mais rápido na história (até 2027), mantendo o lema do “zero investimento externo”.

Se continuarem nesse ritmo, entrarão para a história como uma das primeiras empresas nacionais a cruzar a linha de chegada dos nove dígitos anuais sem nunca ter precisado implorar por capital.

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A reflexão que fica?

O trabalho, a energia e o tempo que se gasta hoje desenhando apresentações e batendo de porta em porta buscando um investidor talvez seja muito maior do que o esforço para, simplesmente, criar um negócio real e lucrativo desde o dia um.

Mas, no final do dia, a decisão é sua: viver de pitch deck ou (desculpe o trocadilho) viver de IA.


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Filipe Callil

Jornalista, empreendedor e fundador da agência Made In Moon