Referendo na Itália: Meloni enfrenta teste crucial em votação sobre reforma judicial

Consulta popular registra participação recorde de 38% no primeiro dia e se transforma em julgamento político sobre a liderança da primeira-ministra conservadora

Estadão Conteúdo

A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni deixa o Palácio do Eliseu no dia de uma reunião com líderes europeus e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, para discutir paz e segurança para a Ucrânia, em Paris, França, em 27 de março de 2025. REUTERS/Sarah Meyssonnier
A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni deixa o Palácio do Eliseu no dia de uma reunião com líderes europeus e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, para discutir paz e segurança para a Ucrânia, em Paris, França, em 27 de março de 2025. REUTERS/Sarah Meyssonnier

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A primeira-ministra conservadora da Itália, Giorgia Meloni, enfrenta um teste político crucial em um referendo de dois dias sobre a reforma judicial, que começou neste domingo, 22. O voto, inicialmente apresentado como uma revisão técnica do sistema de justiça, transformou-se em um julgamento mais amplo sobre sua liderança, tanto interna quanto externamente.

A reforma unificou a oposição de centro-esquerda, tornando o referendo um confronto simbólico sobre a força de Meloni, a um ano das eleições nacionais. Pesquisas recentes mostram uma disputa acirrada, com o campo do “Não” ganhando força em um clima polarizado, onde a participação pode ser decisiva. Após 12 horas de votação no primeiro dia, a participação atingiu 38% dos eleitores elegíveis, a maior já registrada para um referendo de dois dias.

Lorenzo Pregliasco, analista político, afirmou que uma rejeição à reforma teria peso político significativo, enfraquecendo a aura de invencibilidade de Meloni e impulsionando a oposição de centro-esquerda.

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Meloni inicialmente evitou associar sua imagem ao referendo, temendo que uma derrota pudesse enfraquecê-la. No entanto, à medida que a votação se aproximava e as pesquisas se estreitavam, ela abraçou totalmente a campanha do “Sim”, acusando partes do judiciário de atrapalhar o trabalho do governo em migração e segurança.

Suas advertências severas atraíram críticas de magistrados e da centro-esquerda, que argumentam que as reformas ameaçariam a independência judicial. Analistas dizem que o referendo tem implicações internacionais, com Meloni enfrentando o risco de parecer subserviente ao presidente dos EUA, Donald Trump, cuja política externa enfrenta crescente desaprovação entre os italianos.

Uma derrota no referendo não forçaria Meloni a renunciar, mas poderia diminuir sua credibilidade na União Europeia (UE). O referendo centra-se em reformas debatidas há muito tempo, visando remodelar a estrutura do judiciário italiano, incluindo a separação das carreiras de juízes e promotores e mudanças no Conselho Superior da Magistratura.