Essa IA lê sua carteira e aponta falhas como Warren Buffett faria

A proposta vai além do chatbot financeiro convencional

Osni Alves

Publicidade

Uma fintech brasileira acaba de lançar uma ferramenta que promete mudar a forma como o investidor comum entende o próprio dinheiro. O Gorila, especializado em dados de investimento, disponibilizou ao público geral o Gorila AI — um assistente de inteligência artificial que acessa o portfólio real do usuário e responde perguntas em linguagem natural, como se fosse um analista particular disponível a qualquer hora.

A proposta vai além do chatbot financeiro convencional. Enquanto a maioria das ferramentas de IA responde com base em informações genéricas ou carteiras hipotéticas, o Gorila AI lê os dados reais do investidor: posições em múltiplas corretoras, histórico de desempenho, exposição a risco, custos e tributação. A pergunta “Como o Warren Buffett criticaria minha carteira?” não é apenas um slogan — é um exemplo literal do que o sistema é capaz de responder.

A tecnologia roda sobre os modelos de linguagem da Anthropic, empresa americana de inteligência artificial. A integração usa agentes e chamadas de ferramentas que permitem ao modelo consultar dados financeiros estruturados em tempo real durante a conversa — o que, segundo a empresa, elimina o risco de o sistema “alucinar” números: quando fala sobre o portfólio do usuário, está lendo os dados reais, não estimando.

Newsletter

Receba em primeira mão as manchetes do InfoMoney

Por trás dessa capacidade está uma infraestrutura construída ao longo de anos. A plataforma do Gorila já processa mais de 1,5 milhão de carteiras, representando mais de R$ 200 bilhões em ativos sob controle, com consolidação de posições em múltiplas custódias e histórico de performance organizado especificamente para alimentar modelos de IA.

Do mercado institucional ao investidor comum

O Gorila AI não chega ao varejo como uma aposta no escuro. Antes de ser aberto ao público geral, o sistema foi testado e validado por advisors e assessores de investimento no segmento B2B — onde a empresa ainda concentra a maior parte do seu negócio, com clientes como PicPay e XP. O lançamento para pessoa física, portanto, representa a democratização de um conjunto de ferramentas que profissionais de wealth management já utilizam na prática.

O investidor pode fazer perguntas que vão desde o básico — “qual é o custo efetivo dos meus investimentos?” — até análises mais sofisticadas, como identificar quais eventos macroeconômicos impactaram o portfólio nos últimos meses ou de que forma é possível reduzir a carga tributária sobre os rendimentos. Para tarefas mais complexas, como rebalanceamento de carteira, a ferramenta identifica desvios de alocação e sugere um plano de realinhamento — sem executar nada, mantendo a decisão final com o investidor.

“O investidor pessoa física brasileiro sempre teve acesso a dados fragmentados. O que lançamos é uma camada que conecta todas essas informações e permite que o investidor faça as perguntas certas, inclusive as que ele não sabia que precisava fazer”, afirma Guilherme Assis, CEO e cofundador do Gorila.

O acesso ao Gorila AI está disponível pela plataforma GorilaVIEW, diretamente pelo navegador. O investidor pode sincronizar o portfólio via integração com a B3 ou inserir os investimentos manualmente, para então interagir com a interface de chat integrada ao produto. A empresa se posiciona como infraestrutura de dados para o mercado de investimentos e, em 2026, adotou formalmente uma estratégia chamada AI-first — com os modelos de linguagem como camada central do produto.