Títulos públicos têm sessão de alívio após prévia do PIB e intervenção do Tesouro

Mercado ajusta curva após dado de atividade e debate sobre tamanho do corte da Selic, às vésperas de mais uma reunião do Copom

Paulo Barros

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As taxas dos títulos prefixados do Tesouro Direto recuam na manhã desta segunda-feira (16), em um movimento de alívio após a forte abertura observada no fim da semana passada. A melhora vem depois da divulgação do IBC-Br de janeiro e também do anúncio do Tesouro Nacional de que cancelou os leilões tradicionais de títulos prefixados e indexados à inflação previstos para esta semana, além de informar que fará leilões de compra e venda de títulos públicos para apoiar o funcionamento do mercado.

Na comparação com sexta-feira (13), o Tesouro Prefixado 2029 caiu de 13,90% para 13,73% ao ano, enquanto o Prefixado 2032 recuou de 14,25% para 14,07%. No prazo mais longo da modalidade, o Prefixado com Juros Semestrais 2037 passou de 14,25% para 14,06%. O movimento marcou a principal mudança da curva nesta manhã e devolveu parte da alta recente.

Nos títulos atrelados à inflação, o comportamento foi mais misto. O Tesouro IPCA+ 2032 ficou praticamente estável, enquanto o juro real do papel de 2040 recuou de 7,36% para 7,31%. Já na ponta mais longa, o prêmio do título de 2050 subiu de 7,00% para 7,06%.

O comunicado do Tesouro Nacional ajudou a mexer com os preços dos papéis ao reduzir a oferta de títulos prefixados e indexados à inflação no curto prazo. O órgão informou o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos públicos indexados a índices de preço e de prefixados, previstos para os dias 17 e 19 de março, e a manutenção apenas do leilão de LFT desta terça-feira. Também anunciou que realizará, a partir de hoje, leilões de compra e venda de títulos públicos, com o objetivo de “oferecer suporte ao mercado de títulos públicos, assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos”.

Além disso, o dado de atividade divulgado pelo Banco Central reforçou a leitura de que a economia começou o ano ainda resiliente, mas sem surpreender para cima. Para Rafael Perez, economista da Suno Research, “o comportamento dos dados de atividade econômica neste início do ano sugere que o primeiro trimestre do ano deve trazer sinais de reaceleração do crescimento”, com apoio do consumo, da agropecuária e de segmentos mais exógenos da economia. Segundo ele, o crescimento de 2026 tende a se concentrar mais no primeiro semestre.

O mercado também segue ajustando expectativas para o Copom desta semana. Pesquisa da XP com 23 gestoras mostrou expectativa predominante de corte de 0,5 ponto percentual na Selic, embora com projeções mais duras para o fim do ano. Já o Focus e a precificação de mercado ficaram mais conservadores e passaram a apontar maior chance de corte de 0,25 ponto, em meio ao ambiente externo mais volátil.

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No exterior, o pano de fundo continua pressionado. O petróleo se aproximou de US$ 105 por barril, já na terceira semana da guerra envolvendo EUA e Irã, o que mantém o temor de inflação global e ajuda a limitar um fechamento mais forte da curva de juros no Brasil. Apesar disso, o dólar amanhece mais fraco, com queda até aqui de quase 1% ante o real, a R$ 5,26.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h34 desta segunda-feira (16):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0973%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202913,73%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203214,07%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203714,06%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 7,92%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,63%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,31%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,36%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,06%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,26%15/08/2060

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)