Diesel da Petrobras está 35% abaixo do preço internacional – Goldman vê alta em breve

Banco avalia que se os preços internacionais permanecerem nos níveis atuais, um aumento no preço do diesel no Brasil deve ocorrer nos próximos dias ou semanas

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Logo da Petrobras no Rio de Janeiro -
05/06/2025
(Foto: REUTERS/Ricardo Moraes
Logo da Petrobras no Rio de Janeiro - 05/06/2025 (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes

Publicidade

Apesar da disparada dos preços do petróleo no mercado internacional após o início do conflito entre o Irã e os EUA, a Petrobras (PETR4) está atualmente cobrando um preço de diesel cerca de 35% abaixo da referência internacional, o maior desconto pelo menos desde 2022. Diante disso, investidores têm questionado se a estatal vai reajustar os preços domésticos do combustível e, em caso positivo, quando esse aumento poderia ocorrer.

Embora o Goldman Sachs reconheça que há baixa visibilidade para a trajetória dos preços internacionais do diesel, especialmente diante das incertezas provocadas por tensões geopolíticas no Oriente Médio, o banco analisa a questão à luz da governança corporativa e do histórico de reação da Petrobras em períodos anteriores de alta do preço internacional.

De forma geral, o banco avalia que, se os preços internacionais permanecerem nos níveis atuais, um aumento no preço do diesel no Brasil deve ocorrer nos próximos dias ou semanas. “Desde que a atual administração federal assumiu em 2023, a Petrobras não tem repassado imediatamente a volatilidade dos preços internacionais para os preços domésticos, o que na prática gera um atraso nos ajustes”, lembra.

O Goldman Sachs observa que, desde 2023, a Petrobras manteve o preço do diesel mais de 20% abaixo da paridade internacional apenas uma vez. Em agosto de 2023, a companhia chegou a praticar preços cerca de 30% abaixo da referência internacional. Ainda desde 2023, a estatal aumentou o preço do diesel apenas três vezes, quando o desconto médio do preço doméstico em relação ao internacional era de cerca de 15%.

O banco também destaca notícias recentes sobre possível escassez de diesel no Brasil, lembrando que cerca de 25% da oferta de diesel no país depende de importações, enquanto aproximadamente 75% é fornecido por refinarias locais.

Caso o desconto entre o preço doméstico e o internacional permaneça elevado por muito tempo, importadores independentes podem deixar de trazer produto ao país por falta de rentabilidade, o que pode gerar riscos para o abastecimento, segundo relatório. Em 2022, dinâmica semelhante ocorreu após a disparada dos preços internacionais, levando a Petrobras a ajustar os preços locais após surgirem notícias sobre risco de escassez.

Continua depois da publicidade

O Goldman Sachs acrescenta que a estrutura de governança da Petrobras tende a evitar um cenário de ausência prolongada de reajustes. Pelas regras da companhia, caso sejam adotadas práticas comerciais diferentes das que uma empresa privada adotaria — como vender combustíveis significativamente abaixo da paridade internacional — isso precisaria ser respaldado por lei ou regulamentação. Além disso, o estatuto da Petrobras prevê que eventuais subsídios aos preços dos combustíveis devem ser compensados pelo governo.

O banco ressalta ainda que, se a Petrobras mantiver os preços muito abaixo da paridade por um período prolongado, a companhia precisaria posteriormente praticar preços acima da paridade por algum tempo para equilibrar a média ao longo do período de referência definido pelos reguladores.

Por fim, o Goldman Sachs reiterou recomendação de compra para as ações da Petrobras, com preço-alvo de R$ 39,40 por ação ordinária e de R$ 36,60 por papel preferencial, citando a expectativa de dividend yield (dividendo sobre preço da ação) de dois dígitos baixos na curva projetada para 2027.