EUA x Irã: veja o que marcou o 10º dia de guerra no Oriente Médio

Guerra chegou ao décimo dia, com envolvimento crescente de outros países e ataques muito além da fronteira do Irã

Sara Baptista

Membros da Defesa Civil do Líbano inspecionam escombros de prédio atingido por ataque israelense no subúrbio de Beirute - 09/03/2026 (Foto: REUTERS/Stringer)
Membros da Defesa Civil do Líbano inspecionam escombros de prédio atingido por ataque israelense no subúrbio de Beirute - 09/03/2026 (Foto: REUTERS/Stringer)

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A guerra no Oriente Médio chegou ao décimo dia, com ataques militares ainda em andamento entre s partes envolvidas no conflito.

Em meio à escalada, a oficialização a escolha de Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, para assumir o posto de líder Supremo do Irã adicionou uma nova camada de tensão geopolítica, uma vez que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não ficou feliz com a decisão.

Nesta segunda-feira (9), Israel atacou quatro depósitos de combustíveis em Teerã, capital do Irã. As explosões interromperam temporariamente a distribuição de combustíveis e produziram uma fumaça escura e oleosa sobre a cidade. Moradores foram alertados a não sair de casa pelo risco de chuva ácida.

O Hezbollah, milícia islâmica do Líbano, afirmou que está em confronto contra forças israelenses no leste do país. Segundo a milícia, tropas israelenses teriam chegado à região de helicóptero após atravessar a fronteira com a Síria.

Ainda sobre as ações militares israelenses, a organização Human Rights Watch acusou Israel de utilizar munições de fósforo branco. O emprego desse tipo de armamento em áreas civis é proibido pelo direito internacional e pode ser classificado como crime de guerra.

Do outro lado do conflito, o Irã lançou ataques contra o aeroporto do Kuwait e contra uma usina de dessalinização no Bahrein.

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Envolvimento de outros países

A guerra também produziu efeitos além das fronteiras do Irã. Mísseis e drones atribuídos a Teerã foram identificados ou interceptados na Turquia, nos Emirados Árabes Unidos, no Catar e em rotas aéreas que cruzam a Jordânia.

Apesar da ampliação do alcance dos ataques, alguns governos têm evitado envolvimento direto. Nesta segunda-feira, Chipre e os Emirados Árabes Unidos afirmaram que não participarão de ações militares no conflito.

Outros países passaram a atuar em busca de negociação. É o caso de China, Rússia e França, que entraram em contato com Teerã para falar sobre um cessar-fogo.

Também nesta segunda-feira ocorreu a primeira conversa telefônica entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin, desde o início da escalada militar. Segundo um representante do Kremlin, Putin apresentou a Trump argumentos em favor de uma solução diplomática para encerrar a guerra.

Em outra frente, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou a formação de uma missão internacional para liberar o Estreito de Ormuz, rota essencial para o transporte global de petróleo que tem sido bloqueada pelo Irã. A proposta foi criticada por Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, que afirmou ser improvável garantir segurança na passagem enquanto o conflito continuar.

Números da guerra:

Trump falou sobre andamento da guerra

Além de comentar a escolha do novo líder supremo do Irã, Trump fez novas declarações sobre o andamento da guerra. O presidente afirmou que o conflito está em estágio avançado e citou danos à capacidade militar iraniana.

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Em entrevista ao jornal The Times of Israel, Trump disse que o encerramento da guerra dependerá de uma decisão conjunta entre Washington e Israel. “Acho que é mútuo… um pouco. Temos conversado. Tomarei uma decisão no momento certo, mas tudo será levado em consideração”, afirmou. À CBS News, acrescentou que avalia a possibilidade de assumir o controle do Estreito de Ormuz.

Autoridades iranianas também se manifestaram

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que não há espaço para discutir um cessar-fogo enquanto os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel prosseguirem. “A agressão militar está em curso e, por isso, nesta situação há pouco espaço para falar sobre qualquer coisa que não seja defesa e uma resposta esmagadora ao inimigo”, disse.

Já o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, publicou mensagem na rede social X afirmando que o país não pretende atingir cidadãos americanos. Segundo ele, o aumento no preço da gasolina e outros impactos econômicos nos Estados Unidos seriam consequência da guerra e da atuação de Israel e de seus aliados em Washington.

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