Combustível em Gaza está quase no fim após Israel fechar fronteiras por guerra no Irã

As ‌Forças Armadas de Israel fecharam todas as passagens de fronteira de Gaza no sábado, após anunciarem ataques aéreos contra o Irã realizados em conjunto com os EUA

Reuters

Veículos da Cruz Vermelha circulam pela Cidade de Gaza após o Hamas anunciar a localização do corpo de um soldado israelense mantido como refém 
REUTERS/Dawoud Abu Alkas
Veículos da Cruz Vermelha circulam pela Cidade de Gaza após o Hamas anunciar a localização do corpo de um soldado israelense mantido como refém REUTERS/Dawoud Abu Alkas

Publicidade

Gaza está rapidamente ficando sem o seu já ⁠limitado suprimento de combustível e os estoques de alimentos básicos podem ‌ficar escassos, disseram autoridades, após Israel bloquear a entrada de combustível e mercadorias no território devastado pela guerra em meio à guerra com o Irã.

As ‌Forças Armadas de Israel fecharam todas as passagens de fronteira de Gaza no sábado, após anunciarem ataques aéreos contra o Irã realizados em conjunto com os Estados Unidos.

Autoridades israelenses afirmaram na noite desta segunda-feira que devem reabrir na terça-feira a passagem de Kerem Shalom, de Israel para Gaza, para a ‘entrada gradual ⁠de ‌ajuda humanitária’ no enclave, sem especificar quanto.

Anteriormente, autoridades israelenses haviam dito que ⁠as passagens não poderiam ser operadas com segurança durante a guerra.

Gaza depende totalmente do combustível transportado por caminhões de Israel e do Egito, e a falta de novos suprimentos pode colocar em risco as operações hospitalares e ameaçar os serviços de água e saneamento, alertaram autoridades ​locais. A maioria dos palestinos em Gaza é de deslocados internos após a guerra de dois anos entre Israel e militantes do Hamas.

‘Espero que ​tenhamos talvez alguns dias de funcionamento’, disse Karuna Herrmann, diretora em Jerusalém do Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos, que gerencia a distribuição de combustível em Gaza.

Continua depois da publicidade

Amjad Al-Shawa, líder palestino de ajuda humanitária em Gaza, que trabalha com a ONU e ONGs, estimou que os suprimentos ‌de combustível podem durar três ou quatro dias, enquanto ​os estoques de vegetais, farinha e outros itens essenciais também podem se esgotar em breve caso as passagens continuem fechadas.

A Reuters não conseguiu verificar as estimativas de forma independente.

A agência ⁠militar israelense Cogat, que controla ​o acesso a ​Gaza, disse que foram entregues alimentos suficientes ao território desde o início da trégua em outubro para abastecer ⁠a população.

‘Espera-se que os estoques existentes ​sejam suficientes por um longo período’, disse a COGAT, sem dar detalhes. A agência se recusou a comentar uma possível escassez de combustível.

A trégua fazia parte de um ​plano mais amplo apoiado pelos EUA para encerrar a guerra, que envolve a reabertura da passagem fronteiriça de Rafah com o ​Egito, aumentando o fluxo ⁠de ajuda para o enclave.

Hamada Abu Laila, palestino deslocado em Gaza, disse que os fechamentos alimentam o ⁠medo de um retorno da fome, que assolou partes do enclave no ano passado depois do bloqueio de Israel às entregas de ajuda humanitária por 11 semanas.

Continua depois da publicidade

‘Por que é nossa culpa, em Gaza, de guerras regionais entre Israel, Irã e EUA? Não é nossa culpa’, disse Abu Laila.