“Caixa de Pandora aberta”: XP destaca impacto do conflito EUA-Irã para petroleiras

Dentro da sua cobertura, a XP Investimentos continua preferindo PRIO e Petrobras

Lara Rizério

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No sábado, 28 de fevereiro, os EUA e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã (Operação Epic Fury), visando membros da liderança do país, incluindo o líder supremo Khamenei e autoridades da IRGC.

Desde então, o Irã retaliou com ataques com mísseis e drones em vários países aliados dos EUA na região, com acontecimentos que representam uma escalada significativa das tensões geopolíticas existentes e podem ter implicações de longo alcance para os mercados globais, particularmente para o setor de petróleo e gás, destaca a XP Investimentos.

Em relatório Regis Cardoso, head de óleo, gás e petroquímicos da XP, avalia ser importante observar que há uma incerteza significativa em relação aos desenvolvimentos futuros e, neste estágio, só pode-se trabalhar com análises de cenários.

Embora uma possível interrupção da produção iraniana seja significativa, o principal risco reside na propagação do conflito pela região e no potencial impacto nos fluxos comerciais através do Estreito de Ormuz por um período prolongado.

Concentrando a análise nas ações sob sua cobertura, a questão central agora é sobre qual será o impacto nos mercados petrolíferos.

A resposta imediata e de curto prazo é o aumento dos preços do petróleo. O Brent abriu a sessão de domingo com alta em US$ 78 o barril (cerca de +7% em relação ao último fechamento).

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“No entanto, olhar além do curto prazo é significativamente mais desafiador. A escalada no Irã efetivamente abriu uma caixa de Pandora”, avalia o analista, ressaltando que a situação agora se assemelha a um sistema caótico – tanto literalmente quanto no sentido matemático de um sistema capaz de evoluir por caminhos altamente divergentes, tornando-o praticamente impossível de prever.

“Duas dimensões principais devem ser avaliadas: (i) o escopo e (ii) a duração do conflito. Por um lado, pode haver uma saída diplomática que alivie as tensões. Por outro lado, a situação pode se deteriorar e se transformar em um conflito regional mais amplo que continue a interromper o fluxo de petróleo, potencialmente por um longo período”, aponta.

Neste contexto, as ações de E&P (exploração e produção) provavelmente se beneficiam dos preços mais altos do Brent.

Para cada aumento de US$ 10/bbl (barril) no Brent, estima que os FCFE yields (Rendimento do Fluxo de Caixa Livre) aumentem aproximadamente 10 pontos percentuais (pp) para a Brava (BRAV3), +6 pp para a PetroReconcavo (RECV3) e +5pp para a PRIO (PRIO3) e a Petrobras (PETR3;PETR4).

“Dentro de nossa cobertura, continuamos a preferir a PRIO e a Petrobras – essas são as duas empresas menos alavancadas em relação aos preços mais altos do petróleo, mas acreditamos que elas continuam a oferecer o melhor equilíbrio entre risco e retorno”, avalia a equipe da XP.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.