Crise no Irã leva Wall Street à estratégia “primeiro porto seguro, perguntas depois”

Gestores veem maior busca por Treasuries, ouro e franco suíço, monitoram risco em Ormuz e alertam para impacto de choque de petróleo em inflação, juros e emergentes

Bloomberg

Barras de ouro (
Fotógrafo: Matt Jelonek/Bloomberg
Barras de ouro ( Fotógrafo: Matt Jelonek/Bloomberg

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A escalada do conflito no Oriente Médio está elevando a aversão ao risco e reforçando a aposta de investidores em ativos considerados seguros, como Treasuries, ouro e franco suíço. Gestores e estrategistas ouvidos pela Bloomberg apontam que a abertura dos mercados de energia na segunda-feira (2) será o principal teste de humor, com volatilidade já esperada nas primeiras negociações de dólar e outras moedas na Ásia.

Segundo John Briggs, chefe de estratégia de juros dos EUA na Natixis, a postura dos investidores será de “porto seguro primeiro, perguntas depois”. “A escala dos ataques e da retaliação iraniana é maior do que o mercado esperava”, afirmou. Ele projeta que os Treasuries tendem a estender o movimento de sexta-feira, quando os yields de curto prazo recuaram para os menores níveis desde 2022.

Um dos focos é o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quarto do petróleo embarcado por via marítima. Dave Mazza, da Roundhill Financial, diz acompanhar de perto o fluxo de navios no estreito: “Isso é sobre risco Ormuz, não sobre retaliação. Se o tráfego continuar aberto, as ações podem absorver o choque. Se não, todos os cenários mudam.”

Valuações esticadas em ações e crédito globais também facilitam o movimento de corte de risco, observa Ed Al-Hussainy, da Columbia Threadneedle. Ele lembra que o mercado já vinha pressionado por incertezas com tarifas nos EUA, impactos da inteligência artificial e riscos em crédito privado. “A extensão do ‘de-risking’ é um palpite de qualquer um”, resume.

No domingo (1º), o índice Tadawul All Share, da Arábia Saudita, chegou a cair quase 5% na abertura, mas reduziu as perdas ao longo do dia. No mercado de cripto, o Bitcoin se recuperou e rondava US$ 68 mil, mas com forte demanda por proteção: opções de venda somando US$ 1,87 bilhão estão concentradas no strike de US$ 60 mil na Deribit.

Na sexta-feira (28), o Brent já havia fechado no maior nível desde julho, e o S&P 500 recuou 0,4%, acumulando a maior queda mensal desde março. Em nota, estrategistas do Barclays alertaram contra a tentação de “comprar o mergulho” rapidamente. “Os investidores se acostumaram a episódios geopolíticos que desaparecem rápido, mas este tem risco de durar mais”, escreveu Ajay Rajadhyaksha, citando a possibilidade de baixas americanas, ataques à liderança iraniana e interrupções em Ormuz. “O risco x retorno não parece atraente. Se as ações recuarem o suficiente (algo como mais de 10% no S&P 500), pode surgir uma boa janela para comprar. Mas ainda não.”

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