Grêmio tenta quebrar marasmo do mercado para dar nome ao seu estádio

Brasil tem dez arenas com nome, mas viu Maracanã paralisar negociação conduzida pela dupla Fla Flu

Danilo Lavieri

Arena Grêmio agora pertence ao clube - Foto: Divulgação
Arena Grêmio agora pertence ao clube - Foto: Divulgação

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O Grêmio quer dar um passo que pode reposicionar o clube no mercado nacional. Após assumir o controle da própria arena, a diretoria trabalha para vender os naming rights do estádio e, assim, aumentar receitas recorrentes em um momento de estagnação desse modelo no país. A iniciativa tenta quebrar o marasmo recente do setor e recolocar o Tricolor gaúcho no mapa das grandes propriedades comerciais do futebol brasileiro.

O presidente Odorico Roman revelou que a meta é ampliar significativamente as receitas por meio de uma reformulação ampla da área comercial. A venda do nome da arena é vista como peça central dessa estratégia. No Campeonato Brasileiro de 2026, seis estádios iniciaram a competição com naming rights ativos, quatro deles pertencentes a clubes.

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Entre as propriedades consolidadas estão o Palmeiras, com o Allianz Parque; o São Paulo, com o Morumbis; o Corinthians, com a Neo Química Arena; e o Atlético Mineiro, com a Arena MRV. Entre os estádios públicos, a Casa de Apostas Arena Fonte Nova é exemplo de parceria ativa.

O número poderia ser maior. A Ligga Arena, do Athletico Paranaense, teve contrato suspenso para revisão e ainda não retomou o acordo. No total, o Brasil soma dez arenas com naming rights, considerando também a Arena BRB Mané Garrincha, o Mercado Livre Arena Pacaembu, a Casa de Apostas Arena das Dunas e a Arena Nicnet. Somados, os contratos ultrapassam R$ 2 bilhões ao longo de suas vigências.

Anderson Nunes, Head de Negócios da Casa de Apostas, entende que este movimento foi uma evolução natural da presença da empresa em propriedades de marketing esportivo, e que migrar para outros serviços foi uma forma de se diferenciar do mercado.

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“Era necessário mais um movimento inovador, além do desejo de se aproximar do público do entretenimento, uma vez que as novas arenas são multiuso e capazes de receber eventos de variados portes e perfis”, apontou o executivo. 

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Apesar do avanço histórico, o movimento perdeu tração. O caso mais emblemático é o do Maracanã. Em 2025, o consórcio Fla Flu recebeu sinalização de R$ 55 milhões anuais pelos naming rights, valor considerado excelente e que tornaria o estádio o mais valioso do país neste quesito. A meta inicial era de R$ 75 milhões por temporada. A negociação, porém, dependeu de análises técnicas do Governo do Rio de Janeiro e da Casa Civil e ainda não foi formalizada, embora esteja apalavrada.

Hoje, o maior contrato anual em vigor é o do Pacaembu, que vendeu o nome ao Mercado Livre por R$ 33,3 milhões por ano em acordo de 30 anos. Entre os clubes da Série A, o São Paulo recebe R$ 30 milhões anuais pelo Morumbis. Palmeiras e Corinthians têm contratos de R$ 15 milhões por temporada cada. A Arena Fonte Nova rende R$ 13 milhões por ano, enquanto a Arena MRV garante R$ 6 milhões anuais.

O mercado brasileiro começou tardiamente nesse segmento. O primeiro acordo ocorreu em 2005, quando o então estádio do Athletico PR foi batizado pela japonesa Kyocera. O contrato mais longevo em vigor é o do Palmeiras com a Allianz, assinado em 2013. Desde então, o modelo se expandiu, mas sem o ritmo esperado nos últimos anos.

É nesse cenário que o Grêmio tenta se movimentar. Ao assumir a gestão plena de sua arena, o clube ganha autonomia para negociar diretamente com o mercado e estruturar um projeto que envolva não apenas a exposição da marca, mas experiências, ativações e uso do estádio como espaço multiuso. Se conseguir fechar um acordo robusto, o Tricolor pode não apenas reforçar seu caixa, mas também reacender um mercado que, apesar de bilionário no acumulado, vive momento de compasso de espera.

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No contexto de multiuso, neste ano, a Soccer Hospitality passou a operar o Gold Premium Sul, novo setor premium da Arena do Grêmio com 3 mil lugares, reforçando a estratégia de diversificar receitas e qualificar a experiência no estádio. A empresa, que administra camarotes em nove arenas e atua também em eventos como a Fórmula 1 em São Paulo, a MotoGP em Goiânia e o Camarote 011 no Sambódromo do Anhembi, estruturou o espaço para diferentes perfis, com ambientação temática, área kids, recepção de ídolos e serviço gastronômico, com ingressos avulsos e pacotes vendidos pelo site do clube.

Danilo Lavieri

Danilo Lavieri é jornalista experiente em cobertura de esportes, especialmente em bastidores e negócios do mundo do futebol. Atualmente, é colunista do UOL e comentarista do Canal UOL, com passagens por Abril, iG e Máquina do Esporte, com direito a coberturas de três Copas e outras importantes competições de futebol de clubes e seleções.