EUA permitirão revenda de petróleo venezuelano a Cuba, diz Departamento do Tesouro

Desde que os EUA assumiram o controle das exportações de petróleo da Venezuela, o fornecimento a Cuba cessou, agravando sua crise energética

Reuters

Uma bomba de petróleo em Cabimas, estado de Zulia, Venezuela (Bloomberg)
Uma bomba de petróleo em Cabimas, estado de Zulia, Venezuela (Bloomberg)

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O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou nesta ⁠quarta-feira que autorizará empresas a solicitar licenças para revender petróleo venezuelano ‌a Cuba, de acordo com orientações publicadas no site do departamento, uma medida que poderá ajudar a aliviar a grave escassez de combustível na ‌ilha.

Desde que Washington assumiu o controle das exportações de petróleo da Venezuela no início de janeiro, após a captura do presidente Nicolás Maduro, o fornecimento do país sul-americano a Cuba cessou, agravando sua crise energética.

A Venezuela foi por mais de 25 anos o principal fornecedor de petróleo bruto e combustível ⁠para ‌seu aliado político Cuba por meio de um pacto bilateral. O México, ⁠que havia surgido como um fornecedor alternativo, também interrompeu os embarques para Cuba desde que uma carga de combustível chegou a Havana em janeiro, de acordo com dados de transporte.

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A nova política favorável de licenciamento surge em um momento em que grandes empresas comerciais, incluindo a ​Vitol e a Trafigura, controlam a maior parte das exportações de petróleo da Venezuela, com milhões de barris exportados para os EUA, Europa ​e Índia, e outros milhões de barris armazenados em terminais do Caribe para revenda.

O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou que os aliados da Venezuela que estavam recebendo seu petróleo como parte de trocas, pagamentos de dívidas e outros acordos agora devem pagar preços justos de mercado ‌pelas cargas. Esses aliados incluem a China e Cuba.

A ​autorização surge no momento em que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegou ao Caribe nesta quarta-feira para iniciar conversações com líderes que alertaram que a crescente crise ⁠humanitária de Cuba poderia ​desestabilizar a região.

Mesmo com ​a nova política, não está claro se Cuba poderá arcar com as compras de petróleo sem ⁠condições favoráveis. Com Cuba lutando para ​pagar pelas importações de combustível no mercado à vista nos últimos anos, espera-se que qualquer compra potencial de comerciantes exija condições comerciais regulares, como garantias bancárias e pagamentos ​em dinheiro.

A orientação do Tesouro também deixa claro que as transações potenciais devem “apoiar o povo cubano, incluindo o setor privado”, incluindo ​exportações para uso comercial ⁠e humanitário em Cuba, enquanto transações envolvendo ou beneficiando as Forças Armadas cubanas ou outras instituições ⁠governamentais não seriam cobertas.

O Departamento do Tesouro afirmou que os requerentes não precisam necessariamente ter uma entidade estabelecida nos EUA, e as limitações em uma licença concedida em janeiro para exportar amplamente petróleo venezuelano não se aplicariam a Cuba.

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