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IA já está em 80% das seguradoras e até ajusta o atendimento ao ‘humor’ do cliente

Levantamento com 26 seguradoras, que representam mais da metade do mercado, indica que tecnologia já impacta diretamente tempo de cotações e respostas nos chatbots

Vitor Oliveira

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Um levantamento da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) mostra que 80% das empresas do setor já implementaram soluções de inteligência artificial em suas operações. 

Os resultados mostram que a tecnologia deixou de ser tendência para se tornar estratégia prioritária nas companhias, com reflexos diretos no atendimento ao consumidor.

“As empresas brasileiras estão aderindo rapidamente ao uso da inteligência artificial. É uma tendência do mercado nos próximos anos usar cada vez mais a IA nos processos das companhias”, diz Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, durante coletiva para apresentação dos dados nesta terça-feira (24). 

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Segundo Oliveira, o setor ainda vive uma fase de experimentação, mas com direção clara. “A inteligência artificial é uma estratégia prioritária nas companhias de seguros brasileiras hoje.”

A pesquisa, realizada entre 31 de outubro de 2025 e 12 de janeiro de 2026, ouviu 26 seguradoras associadas, além de 17 executivos, dois reguladores — Banco Central e Susep (Superintendência de Seguros Privados), órgão federal que regula e fiscaliza o setor — e um especialista em IA. 

As empresas participantes do levantamento somam, juntas, R$ 210 bilhões em receita, o equivalente a cerca de 50,7% do market share do setor de seguros. 

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Os números mostram que essa prioridade começa a produzir efeitos concretos para o cliente final.

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De acordo com o estudo, as seguradoras registraram:

Na prática, isso significa respostas mais rápidas em canais digitais, chatbots mais assertivos, maior agilidade na emissão de propostas e apólices (contrato de seguro) e, potencialmente, precificação do seguro mais adequada ao perfil de risco dos clientes.

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Para o diretor técnico de estudos e relações regulatórias da CNseg, Alexandre Leal, o impacto mais imediato aparece no atendimento. 

“Você tem a utilização de chatbots e ferramentas de atendimento que, inclusive, conseguem perceber o ‘espírito’ do cliente, se ele está mais irritado, mais tranquilo, e adaptar o script do SAC. Isso é bastante relevante.”

— diz Alexandre Leal, da CNseg

Segundo Leal, a evolução tende a ir além do suporte básico. A análise de comportamento pode levar à oferta de novos serviços atrelados às apólices e a modelos de precificação mais precisos. 

“No final do dia, é o que faz com que, dentro de um mercado competitivo, você tenha um preço mais adequado para o consumidor final.”

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Produtividade e experiência lideram motivadores

Ao serem questionadas sobre os principais motivos para investir em IA em 2025, as seguradoras apontaram:

Segundo Oliveira, a concentração dos casos de uso está em três frentes principais: atendimento ao cliente, operações e tecnologia. Em 77% das empresas, os ganhos são classificados como incrementais, ou seja, há melhoria de processos existentes, com ganhos de eficiência, mas sem mudança estrutural no modelo de negócios.

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Expectativa de mais automação e equipes dedicadas

O estudo indica que o movimento deve se intensificar nos próximos anos.

Apesar disso, 84% das empresas estimam que o aumento de receita diretamente associado à IA ainda será de até 1%, o que reforça o foco atual em eficiência operacional.

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Orçamento ainda pesa

Se a produtividade é o principal motor, o orçamento é o principal freio. Entre as barreiras para criar equipes dedicadas à IA, as empresas citaram:

A falta de clareza sobre o retorno e o custo de implementação, segundo o estudo, ainda limita a escalabilidade de projetos, o que leva muitas companhias a adotarem pilotos antes de expandir as soluções.

Mesmo com os desafios, o diagnóstico da entidade é de consolidação. A inteligência artificial já saiu do discurso e passou a integrar o dia a dia das seguradoras. 

Para o consumidor, os efeitos mais visíveis são atendimento mais rápido, processos simplificados e maior personalização. Para o setor, trata-se de uma corrida por eficiência em um mercado cada vez mais competitivo e digital.