JPMorgan destaca fluxo recorde para o Brasil e projeta quando será pico do mercado

Visão das estrategistas do banco é de que o mercado local deve atingir o pico por volta do início do segundo trimestre

Lara Rizério

Imagem: Pixabay
Imagem: Pixabay

Publicidade

Segue o fluxo! A entrada de capital estrangeiro para o Brasil no ano soma quase US$ 6 bilhões, conforme aponta a equipe de estratégia do JPMorgan que destaca que, se 2026 terminasse hoje, este seria o terceiro melhor ano em termos de fluxos desde o início da série, em 2001.

Janeiro costuma ser um mês forte, mas nada comparado ao que foi observado desta vez – e ao que continua entrando.

Olhando para as ações globais, Emy Shayo e Cinthya Mizuguchi, estrategistas que assinam o relatório, destacam que as alocações em mercados emergentes seguem baixas, de apenas 5,6%, quando uma posição neutra é de cerca de 11%.

Continua depois da publicidade

“Se essa posição retornasse à média de 10 anos de 6,5%, traria US$ 350 bilhões para mercados emergentes, US$ 27 bilhões para a América Latina e US$ 17 bilhões para o Brasil”, avalia.

Para registro, o melhor ano para mercados emergentes em termos de fluxos foi 2021, com US$ 100 bilhões, e o melhor ano para o Brasil foi 2022, com US$ 20 bilhões (após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia). Assim, sob a hipótese do banco de retorno à média, o Brasil ainda receberia outros US$ 11 bilhões, com um terço já materializado. “Pelo jeito que as coisas estão indo, isso pode ser modesto”, aponta.

Os fundos de mercados emergentes também estão recebendo um grande volume de fluxos. Com US$ 65 bilhões na semana passada, já é superior aos US$ 29 bilhões registrados em 2025. O Brasil já é o maior mercado overweight (exposição acima da média do mercado) líquido entre os emergentes, com uma alocação mediana de 2,1% acima do benchmark. O pico pós-crise financeira global é de 2% e o pico pré-crise financeira global é de 3% acima.

Uma pergunta que Emy e Cinthya fazem é se os fluxos resistirão à volatilidade local. Elas apontam que, no final do ano passado, destacaram que o nível do mercado estava muito à frente dos fluxos e que veriam fluxos aumentando ou, menos provavelmente, o Ibovespa caindo.

“Felizmente, o primeiro cenário se materializou. Nossa maior incógnita daqui para frente é se a situação local começará a impactar os fluxos. O mercado tende a antecipar a flexibilização monetária em termos de desempenho e também que não se sai bem nos seis meses que antecedem as eleições (abril a outubro)”, apontam.

A visão das estrategistas é que a eleição é um evento de risco e que os mercados começarão a levá-la em consideração, o que poderia levar a uma diminuição dos fluxos à medida que o desempenho for impactado, a menos que o cenário global permaneça como está. “Assim, nossa visão é que o mercado local deve atingir o pico por volta do início do segundo trimestre”, apontam.

Continua depois da publicidade

Em outro relatório sobre o mercado de emergentes da América Latina, o JPMorgan reiterou o Brasil como overweight, reforçando que o país é o grande beneficiário dos fluxos para os emergentes. O banco americano recomenda se manter ações de grande capitalização e qualidade.

O JPMorgan é neutro em México e Chile, enquanto é underweight (exposição abaixo da média) no Peru e na Colômbia.

Dados dos fundos

Continua depois da publicidade

Olhando para os dados do Brasil, o JPMorgan ressalta que o setor de fundos mútuos registrou entradas de R$ 75 bilhões em janeiro, revertendo a tendência de saída dos dois meses anteriores. Essa mudança positiva foi impulsionada principalmente pela classe de ativos de renda fixa. No acumulado do ano, os fundos mútuos registram entradas de R$ 182 bilhões.

Os fundos dedicados a ações continuaram a apresentar saídas, com resgates acelerando ainda mais neste mês. Os dados de janeiro mostraram saídas de R$ 2,5 bilhões, com o acumulado do ano chegando a R$ 43 bilhões em saídas.

A alocação em ações como percentual do total de ativos sob gestão (AUM) dos fundos mútuos está em 8,1%, permanecendo nesses níveis durante o segundo semestre de 2025, bem abaixo da média histórica de 11,2%.

Continua depois da publicidade

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.