Grupo Ultra (UGPA3) contrata assessor para vender rede de postos Ipiranga, diz jornal

TotalEnergies, Saudi Aramco e a J&F Investimentos estariam em conversas com o Grupo Ultra

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Divulgação: Ipiranga
Divulgação: Ipiranga

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O Grupo Ultra (UGPA3) contratou o BTG (BPAC11) para vender a Ipiranga, braço de distribuição de combustíveis da companhia, informou o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Segundo a reportagem, TotalEnergies, Saudi Aramco e a J&F Investimentos estariam em conversas com a Ultra.

Embora não haja avaliação sobre a probabilidade de uma transação, o Goldman Sachs pontua que o fluxo recente de notícias também mencionou a possibilidade da Ultrapar adquirir participação na Rumo (RAIL3), reforçando a percepção de que a empresa pode estar mais ativa em fusões e aquisições (M&A) após a reestruturação de seus principais negócios nos últimos cinco anos e a aquisição da Hidrovias do Brasil.

Além disso, o banco destaca que a agenda de combate à informalidade na distribuição de combustíveis ganhou tração nos últimos meses, melhorando a dinâmica competitiva para os grandes players formais. “Esse movimento, combinado à entrada de recursos em ações domésticas no Brasil, contribuiu para a reprecificação das distribuidoras de combustíveis e de suas holdings sob cobertura.”

O Goldman Sachs prevê um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de aproximadamente R$ 4,2 bilhões para a Ipiranga em 2026.

Já o Bradesco BBI acredita que a faixa de valuation de uma eventual transação poderia ficar entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões, considerando um múltiplo de 6 a 7 vezes EV/Ebitda (Valor da Firma sobre Ebitda).

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Para a Ultrapar, além da avaliação, podem surgir questionamentos sobre o uso dos recursos. Parte relevante do ruído de mercado em torno da companhia envolve a possibilidade de o grupo adquirir cerca de 15% da Rumo. No entanto, essa fatia está atualmente avaliada em aproximadamente R$ 4,5 bilhões.

Assim, segundo BBI, a venda da Ipiranga dificilmente seria necessária apenas para financiar essa operação, o que levanta a hipótese de que a Ultrapar poderia estar mirando movimentos mais ambiciosos, como: 1) uma aquisição total da Rumo, transação que poderia girar em torno de R$ 35 bilhões, considerando a cláusula de poison pill de 15%; ou 2) o fechamento de capital da Hidrovias do Brasil, o que demandaria cerca de R$ 2,5 bilhões, dado que a Ultrapar já detém 55% da empresa.

Além disso, desta vez o universo de potenciais compradores pode ser mais amplo, incluindo players estrangeiros. Nos últimos 15 anos, o elevado nível de informalidade no setor brasileiro de distribuição de combustíveis afastou grandes companhias internacionais, como ExxonMobil e Chevron, de ativos locais. No entanto, com o fortalecimento da fiscalização contra a informalidade, o interesse estratégico pode ressurgir. Vale destacar que a Saudi Aramco adquiriu recentemente distribuidoras de combustíveis em outros mercados emergentes, como Peru e Chile, o que sugere que o Brasil pode voltar ao radar de investidores estratégicos globais.

O BBI ainda destaca a Ipiranga é a terceira maior distribuidora de combustíveis do Brasil e um movimento de M&A dessa magnitude não é observado no país há pelo menos 20 anos.

Segundo o banco, a operação poderia ajudar a consolidar valuations mais elevados em um momento que, na avaliação do banco, antecede um processo de reprecificação do setor, com potencial impacto positivo também sobre pares como Vibra Energia e Raízen.

Vibra (VBBR3)

Na sexta-feira, o Brazil Journal informou que a Vibra Energia (VBBR3) estaria em negociações avançadas para trazer um novo sócio para a Comerc, braço de renováveis da companhia. De acordo com a reportagem, após a entrada de um novo parceiro estratégico, possivelmente a EDF, a participação da Vibra na Comerc poderia ser diluída para menos de 50%, o que permitiria à empresa desconsolidar a dívida líquida da Comerc de seu balanço.

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Posteriormente, a Vibra afirmou que não há negociações em andamento especificamente com a EDF. Apesar de não haver avaliação sobre a probabilidade de uma transação, segundo o Goldman Sachs, a entrada de um novo parceiro estratégico na Comerc poderia agregar expertise, ampliar a base de ativos e reduzir a urgência de eventual venda da participação da Vibra no negócio.

Como referência, a estimativa é de um valor da firma de aproximadamente R$ 9,7 bilhões para a Comerc na soma das partes (SOTP) da Vibra, enquanto a Comerc reportou dívida líquida de cerca de R$ 4,1 bilhões no terceiro trimestre de 2025.

O banco mantém preferência relativa por Vibra na cobertura de distribuição de combustíveis, por se tratar de um “pure play” em um cenário de melhora da dinâmica competitiva no setor.

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O Goldman Sachs tem recomendação de compra para a Vibra, com preço-alvo de R$ 36,20, com base em sua avaliação por soma das partes (SOTP). Para valorar o negócio de distribuição de combustíveis da companhia, o banco aplica um múltiplo-alvo de 7,2 vezes EV/Ebitda projetado para os próximos 12 meses sobre o Ebitda ajustado do segmento.