Análise: Derrubada de tarifas tira “elefante da sala” em encontro entre Trump e Lula

Decisão da Suprema Corte dos EUA tira, por enquanto, principal foco de atrito da pauta em Washington e abre espaço para discutir comércio, energia e investimentos

Marina Verenicz

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia | Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia | Foto: Ricardo Stuckert / PR

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A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que invalidou as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump retira, por enquanto, o principal ponto de tensão da reunião prevista entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada para a segunda quinzena de março, em Washington.

As tarifas haviam se tornado o tema mais sensível da relação bilateral. Aplicadas com base em uma lei de emergência de 1977, as medidas afetaram exportações brasileiras e geraram reação de setores produtivos, além de pressão diplomática de Brasília. Com a decisão judicial que limita o uso dessa ferramenta, o encontro entre os dois chefes de Estado passa a ocorrer em ambiente menos conflituoso.

Nos bastidores, o governo brasileiro tratava as tarifas como prioridade na pauta do encontro. A avaliação era de que a manutenção das alíquotas criaria um impasse político logo na largada da conversa. Agora, com a derrubada das medidas, a tendência é que a agenda seja reorganizada em torno de temas estruturais, como comércio, investimentos, energia e cooperação em segurança.

A retirada do contencioso comercial reduz o risco de a reunião se transformar em um embate público sobre barreiras tarifárias.

Além do comércio, a expectativa é que Lula e Trump discutam energia — especialmente diante da reorganização do mercado internacional de petróleo —, segurança regional e cooperação em temas estratégicos. A Casa Branca também tem sinalizado interesse em ampliar parcerias econômicas nas Américas, enquanto o governo brasileiro busca diversificar mercados sem abrir mão do espaço nos EUA.

A decisão da Suprema Corte não elimina as divergências políticas entre os dois governos, mas retira um fator concreto de atrito econômico. Com isso, o encontro em Washington tende a ganhar contornos mais pragmáticos, com foco em áreas de convergência e na tentativa de reconstruir previsibilidade na relação bilateral.

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