Carrefour indica que acirrará competição e torna cenário mais complexo para Assaí

Empresa quer manter diferença de 1,5 ponto percentual entre os preços no setor

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

Logo do Assaí em loja da rede em São Paulo 11/01/2017 REUTERS/Paulo Whitaker
Logo do Assaí em loja da rede em São Paulo 11/01/2017 REUTERS/Paulo Whitaker

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O Carrefour divulgou na terça-feira (17) os resultados do quarto trimestre e aproveitou a oportunidade para anunciar seu plano estratégico para até 2030. Focada em ampliar a competição de preços no segmento de atacarejo (cash & carry), o Atacadão quer manter a liderança de preços, com uma estratégia agressiva que deve impactar sua principal concorrente, o Assaí (ASAI3).

“O Plano Estratégico 2030 do Carrefour inclui alavancas que parecem desafiar diretamente o Assaí em frentes que o próprio Assaí enfatizou recentemente como essenciais para melhor ‘explorar seus ativos’, como marcas próprias e serviços financeiros”, explicam os analistas do Bradesco BBI.

Um dos objetivos detalhados no material é o foco do Carrefour em manter o índice de preços de 1,5 ponto percentual abaixo do Assaí. De acordo com os analistas do JPMorgan, essa medida tende a tornar ainda mais relevante o volume vendido no primeiro semestre de 2026, em especial dado o cenário de deflação de alimentos. Segundo a administração do Carrefour, a perspectiva é de melhora gradual, com uma ampliação no ritmo ainda em janeiro.

Viva do lucro de grandes empresas

No Brasil, o desempenho do Atacadão apresentou vendas em mesmas lojas (SSS) de -0,9% no 4T25; na comparação anual, a queda foi de 0,4%. O resultado ficou em linha com as estimativas para o Assaí em novembro/dezembro, mas apresentou um desempenho inferior ao do concorrente pela primeira vez desde o 1T24.

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Com base nas revisões do JPMorgan após resultados do Assaí, o desempenho operacional da companhia ficou abaixo do esperado no quarto trimestre. Mesmo com o possível alívio no fluxo de caixa vindo da monetização de créditos tributários de PIS/Cofins, o desempenho fraco na receita líquida e nas despesas provocou uma revisão para baixo da expansão.

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A tese do PIS/Cofins sobre bebidas ainda não foi totalmente detalhada pelo Assaí. De acordo com o JPMorgan, essa brecha permite créditos no varejo na ausência de tributação na venda, podendo se assemelhar a um subsídio fiscal implícito; algo como uma desoneração adicional do produto, segundo os analistas.

“Considerando que o mercado já passou a incorporar nos preços a monetização dos créditos de PIS/Cofins desde a divulgação dos resultados, entendemos que a assimetria risco-retorno está negativa para o Assaí”, afirmam os analistas do JPMorgan. Os analistas reduziram em cerca de 5% na projeção de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado.

Expansão de lojas

Outra ação estratégica do Carrefour, é o de abrir mais de 70 novas lojas Atacadão até 2030, uma média de mais de 14 lojas por ano. Em paralelo, o Assaí reduziu seu ritmo de expansão a curto prazo, com cerca de 5 novas lojas previstas para serem inauguradas por ano.

Caso a estratégia seja executada à risca, o Carrefour poderá atingir mais de 455 lojas, enquanto o Assaí opera, atualmente, com 312 unidades. O grupo francês também anunciou o lançamento de uma nova marca própria, a Bulnez, no Brasil. A proposta sugere que a marca ofereça produtos a preços acessíveis.

Para o JPMorgan, o preço-alvo para dezembro de 2026 do ASAI3 permanece em R$ 9,50 por ação. Esse valor, de acordo com os analistas, implica um potencial de queda de 5% em relação ao preço atual. A recomendação é underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda).