Indústria do charuto também é vítima da crise em Cuba; Festival del Habano é adiado

Foi anunciado o adiamento do maior evento cubano do setor de fumo e uma das maiores fábricas de charutos do país paralisou atividades na semana passada por falta de óleo combustível

Roberto de Lira

Idosa fuma um charuto na porta de sua casa em Havana 30/01/2026 (Foto: REUTERS/Norlys Perez)
Idosa fuma um charuto na porta de sua casa em Havana 30/01/2026 (Foto: REUTERS/Norlys Perez)

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Após a crise econômica e energética de Cuba mostrar um reflexo danoso ao turismo da ilha caribenha, ou símbolo do país experimenta uma retração forçada: os charutos. Foi anunciado o adiamento do maior evento cubano do setor de fumo, que estava marcado para o período entre 24 e 27 de fevereiro. E uma das maiores fábricas de charuto, localizada em Holguín, paralisou as atividade no dia 12, por falta de combustível para as máquinas.

No sábado, o Comitê Organizador do Festival del Habano anunciou o adiamento da sua próxima edição, “com o objetivo de preservar os mais altos padrões de qualidade, excelência e experiência que caracterizam este evento internacional”.

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O Festival é considerado um encontro icônico, por reunir todos os anos fãs, especialistas, distribuidores e meios especializados de todo o mundo para celebrar a cultura, a tradição e o prestígio do Habano. “A decisão de adiar procura garantir um ambiente ideal para o pleno desenvolvimento de todas as suas atividades, apresentações e experiências”, disseram os organizadores.

A comissão organizadora disse estar atualmente trabalhando na escolha de uma nova data, que será anunciada oportunamente através dos canais oficiais do Festival.

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Enquanto isso, o site independente 14yMedio noticiou que a fábrica Lázaro Peña, em Holguín está fechada desde o dia 12 por tempo indeterminado. Embora não tenha ocorrido uma comunicação oficial, funcionários disseram que a matéria-prima continua a chegar, mas que não há óleo combustível para as caldeiras e máquinas.

No momento, as lideranças da empresa estatal estão estudando formas de mexer com a escala de turnos de trabalho para flexibilizar horários, talvez com redução salarial, numa tentativa de manter os empregos.