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SÃO PAULO – A atual crise que assola o sistema financeiro internacional surpreende por sua magnitude e duração. Muitos analistas previam perdas consideravelmente menores do que as registradas até agora, e as turbulências ainda estão longe de terminar. Entre tais analistas, estão os do FMI (Fundo Monetário Internacional).
Em relatório divulgado nesta terça-feira (7), a equipe da instituição elevou suas estimativas para os prejuízos derivados da crise financeira de US$ 945 bilhões para US$ 1,4 trilhão, um acréscimo de que 48%. Desde o segundo semestre do ano passado até setembro deste ano, o FMI estima que apenas US$ 560 bilhões de tal montante já tenha sido contabilizado pelos grandes bancos.
Medidas mais enérgicas
O relatório contém uma série de clamores para que os governos e autoridades monetárias das economias desenvolvidas do mundo adotem medidas mais enérgicas frente às turbulências. “O tempo para soluções amenas ficou para trás”, afirmou Dominique Strauss-Kahn, dirigente-chefe do FMI.
De acordo com o relatório engendrado, cerca de US$ 675 bilhões precisam ser angariados pelas principais instituições financeiras do globo nos próximos anos, a fim de que o crescimento na concessão de crédito seja mantido. A dificuldade reside justamente no fato de que as condições adversas do mercado impedem um levantamento expressivo de capital pelos bancos.
Para o FMI, é nesta hora que os bancos centrais devem atuar no mercado. “O processo de desalavancagem é necessário e inevitável – mas não pode ser desordenado”, afirmam os analistas, para quem é necessária uma ação coordenada mais ampla e enérgica por parte das autoridades para que a confiança entre os investidores e as dinâmicas financeiras normais sejam restauradas.
“Falhar em tal empreitada pode incorrer em um período de contínuo desordenamento no processo de desalavancagem e de sérios impactos sobre o lado real da economia internacional”, alerta a instituição em seu relatório.
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Contágio sobre emergentes
Outro tópico abordado pelo FMI foi o contágio da crise financeira sobre os mercados emergentes, a despeito da tese do descolamento, adotada por muitos analistas e economistas até pouco tempo atrás. “Até recentemente, os emergentes mostravam-se resistentes (…); mas nas últimas semanas isto mudou”, afirma a equipe.
Segundo o FMI, embora seja inegável que os fundamentos macroeconômicos da maioria dos países emergentes tenham amadurecido sensivelmente nos últimos anos, com maiores reservas, balanços fiscais mais saudáveis e menores dívidas externas, a globalização faz com que a economia internacional como um todo esteja muito mais interligada, o que propicia o contágio das turbulências advindas dos mercados desenvolvidos em direção aos mercados em desenvolvimento.