Ray Dalio diz que ‘ordem mundial acabou’ e alerta para risco de guerra

Em artigo no X, investidor cita líderes em Munique e afirma que sistema internacional vive etapa de choque entre grandes potências, com risco de escalada

Paulo Barros

Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, fala no Future of Everything Festival do Wall Street Journal na cidade de Nova York, EUA, em 22 de maio de 2024. REUTERS/Andrew Kelly/Foto de Arquivo
Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, fala no Future of Everything Festival do Wall Street Journal na cidade de Nova York, EUA, em 22 de maio de 2024. REUTERS/Andrew Kelly/Foto de Arquivo

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O megainvestidor Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, afirmou no sábado (14) que a ordem mundial estabelecida após 1945 “chegou ao fim” e que o mundo entrou em uma nova fase de disputa entre grandes potências – que, ao fim, pode terminar em uma nova guerra.

Em texto publicado no X, Dalio disse que isso ficou claro após aa Conferência de Segurança de Munique, onde líderes reconheceram o colapso do arranjo global que vigorou por décadas.

Nos últimos dias, o chanceler alemão Friedrich Merz declarou que “a ordem mundial como existiu por décadas não existe mais” e que o momento atual é de “política de grandes potências”, em que a liberdade “não é mais algo garantido”.

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Já o presidente francês Emmanuel Macron afirmou que as antigas estruturas de segurança da Europa deixaram de existir e que o continente precisa se preparar para a guerra.

Enquanto isso, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que o mundo entrou em uma “nova era geopolítica” porque o “velho mundo” acabou.

Choque entre potências

Dalio classificou o momento como parte do “Estágio 6” do que chama de “Grande Ciclo”, conceito desenvolvido em seu livro Princípios para Lidar com a Mudança na Ordem Mundial. Nessa fase, segundo ele, prevalecem a desordem, a ausência de regras eficazes e o choque entre grandes potências.

O investidor afirma que, no plano internacional, o poder tende a se sobrepor a acordos e instituições como a Liga das Nações e a Organização das Nações Unidas, que não teriam força superior à das principais potências.

Ele lista cinco frentes de conflito entre países: guerras comerciais e econômicas, tecnológicas, de capitais, geopolíticas e militares. Segundo Dalio, as quatro primeiras costumam anteceder confrontos armados.

Risco de guerra

Dalio afirma que o maior risco de guerra militar surge quando potências com forças comparáveis enfrentam diferenças consideradas existenciais. Ele cita como potencial foco de tensão a disputa entre Estados Unidos e China por Taiwan.

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Como exemplo histórico, o investidor relembra o período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, marcado por depressão econômica, protecionismo, ascensão de lideranças autocráticas e uma década de guerras econômicas antes do conflito aberto.

“Declínios [culturais] traumáticos podem levar a alguns dos piores períodos da história, quando grandes disputas por riqueza e poder se mostram extremamente custosas, tanto economicamente quanto em vidas humanas”, diz o bilionário.

“Vários impérios e dinastias se sustentaram por centenas de anos, e os Estados Unidos, com 245 anos, provaram ser um dos mais duradouros.”

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)