Cenário piora e Merrill Lynch corta projeções: PIB dos EUA deve recuar 1,7% em 2009

Embora confirme expectativa de recessão no próximo ano, banco afirma que movimento de declínio está perto do fim

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SÃO PAULO – As últimas semanas assustaram os mercados internacionais. Falências, intervenções, quedas históricas nas bolsas de valores… tudo isso indicando maior deterioração das condições financeiras globais, e particularmente dos EUA.

“Nós fomos obrigados a cortar nossas projeções de PIB (Produto Interno Bruto), inflação e lucros corporativos abaixo de nossas estimativas para 2009, que já eram inferiores ao consenso”.

A frase, escrita pelo economista David Rosenberg, da Merrill Lynch, remete ao novo cenário base do banco, que traz previsões de declínio de 1,7% no PIB real dos EUA em 2009, inferior às expectativas anteriores que apontavam contração de 0,4%.

As projeções de ganho operacional para o índice S&P 500 também sofreram cortes para o próximo ano, ficando em US$ 60 por ação, abaixo da previsão anterior (US$ 63 por ação) e das estimativas para este ano (US$ 68 por ação).

Só mais 15%

Tendo como base as novas projeções e sua análise macroeconômica, Rosenberg indica que o S&P 500 atingiria o fundo do poço no momento em que chegasse ao patamar entre 720 e 780 pontos, mínimas não vistas desde outubro de 2002. “Do modo como eu vejo, nós já percorremos cerca de 85% do processo de ver tal desconto no mercado”, afirma o economista.

Visto desse ângulo, os 15% restantes soam até como alívio, pois ao menos pode-se ver qual o fundo do poço. Porém, há um outro lado: com tamanha queda já vista, ainda é esperado um declínio razoável, mesmo que o mercado mostre uma recuperação no curto prazo.

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“A perspectiva de estar a 15% do fim deve fornecer aos investidores a habilidade de começar o processo de identificar valores, particularmente nos setores defensivos do mercado de ações”.

E se ultrapassar o fundo previsto? Conforme o relatório de Rosenberg, há duas possibilidades: ou a queda será muito pior do que as estimativas ou o forte declínio será seguido por um movimento no sentido contrário, de mesma intensidade: o que significa uma forte alta.

Quedas históricas

Lembrando que o S&P 500, segundo a Merrill Lynch, já está cerca de 43% abaixo de seu último pico, no ano passado. A situação corrobora a opinião do economista de que os EUA verão a maior recessão causada pelo consumo desde o declínio de seis trimestres, entre 1973 e 1975, quando o índice caiu 45%.

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Muito além dos fundamentos, um dos principais causadores desses declínios, principalmente nos papéis de maior liquidez, é a onda de resgates de hedge funds. “Não depende sempre de fundamentos, apesar de serem os fundamentos que direcionam minha análise. Há sempre a chance de que uma perspectiva de fluxo de fundo pressione para o declínio”, comenta Rosernberg.