Eneva: ação tem dia de alívio com fala de ministro sobre “correção” em leilão

Alexandre Silveira apontou que os preços-teto do leilão de capacidade do setor elétrico previsto para março estão sendo corrigidos

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Alexandre Silveira (PSD), ministro de Minas e Energia (Foto: Tauan Alencar/MME)
Alexandre Silveira (PSD), ministro de Minas e Energia (Foto: Tauan Alencar/MME)

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As ações da Eneva (ENEV3) registraram uma sessão de recuperação parcial nesta quarta-feira (11), após o tombo da véspera com a divulgação dos preços-teto do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026.

O movimento acontece após falas do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, de que os valores podem ser revistos.

Ele apontou que os preços-teto do leilão de capacidade do setor elétrico previsto para março estão sendo corrigidos, para que haja uma remuneração justa dos investidores, sem perder de vista a modicidade tarifária para os consumidores.

Em participação em evento do BTG, Silveira afirmou que a correção irá ocorrer o mais rápido possível, para não atrasar a realização do leilão, que o governo quer realizar ainda no próximo mês, já que o certame promete trazer segurança para o setor elétrico diante do crescimento de fontes intermitentes na matriz.

Em um primeiro diagnóstico após a reação amplamente negativa do mercado depois da divulgação dos valores na véspera, Silveira disse que se verificou uma “diferença muito grande” dos preços finais, que refletiram uma média de dados enviados ao governo por todo o setor, em relação às informações fornecidas pelos grandes players, que têm mais informações “seguras” sobre os custos dos empreendimentos.

“A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) me parece que considerou muito a média dos agentes”, disse o ministro.

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“Então nós estamos corrigindo, eu tenho absoluta certeza que nós vamos fazer a correção necessária para que o leilão, como eu disse, seja competitivo, mas que ele tenha a remuneração justa para o investidor, mas que tenha como foco principal a modicidade tarifária”, acrescentou.

Os preços-teto do leilão de capacidade, divulgados na véspera na aprovação do edital, frustraram o mercado, que calculava valores muito superiores para remunerar adequadamente tanto usinas existentes a gás, quanto novos empreendimentos do insumo. As ações da Eneva, uma das principais interessadas no leilão, chegaram a desabar quase 20% na véspera.

Já nesta quarta-feira, as ações da Eneva subiram 1,97%, a R$ 20,21, após fecharem em baixa de 9,66% na terça-feira.

Silveira ressaltou ainda que a demanda para contratação nos leilões de capacidade deve ser “muito grande”.

“Vamos trabalhar para que ela (a contratação) seja de alta competitividade, para que a gente achate o preço ao máximo, e que haja disputa para que o preço de energia se torne mais baixo possível.”

O governo realizará dois grandes leilões em março deste ano para contratar mais potência de usinas termelétricas e hidrelétricas, em uma medida vista como fundamental para diminuir riscos ao suprimento de energia no país diante do aumento da participação, na matriz, de fontes cuja geração não é controlável.

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Analistas apontaram na véspera que, se mantidos, os preços divulgados para as termelétricas a gás inviabilizariam a contratação.

“A taxa de R$1,6 milhão/MW é tão baixa que há uma boa chance de nenhum projeto se mostrar viável. Isso coloca o sistema (elétrico) em risco, já que a necessidade de usinas para atendimento de pico está aumentando”, escreveram os analistas do BTG Antonio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Schutz, em relatório.

Uma fonte ligada a uma geradora termelétrica disse que, nas condições atuais, sua empresa estaria fora da disputa, e que o certame correria o risco grande de “dar vazio”.

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A fonte, que falou sob condição de anonimato, avaliou ainda que um valor entre R$180 e R$200 por megawatt-hora (MWh) seria capaz de contratar energia no certame.

Os preços-teto atualmente fixados correspondem a R$128/MWh para as termelétricas existentes e a aproximadamente R$180/MWh para novos projetos, pelos cálculos do UBS BB.

Já para os geradores hidrelétricos, a equipe do BTG disse ver o preço-teto atual como “positivo”, permitindo que algumas empresas interessadas no leilão possam adicionar capacidade em suas usinas com bons valores presentes líquidos (VPLs).

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Um executivo do setor hidrelétrico, porém, considerou que o valor máximo fixado pelo governo também ficou baixo, embora reconheça que o problema não é tão grande como o verificado para as termelétricas.

(com Reuters)