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O setor de água e saneamento no Brasil vive uma transformação, impulsionada pela meta de universalização até 2033, com 99% de acesso à água e 90% à coleta de esgoto. Nesse cenário, o avanço das privatizações tem acelerado os investimentos, ampliando a cobertura e elevando a qualidade dos serviços.
A privatização da Copasa (CSMG3) está em estágio avançado e prevista para o primeiro semestre de 2026, mas, como boa parte do potencial de valorização já parece refletida nos preços, o Morgan Stanley adota uma postura cautelosa. A Sabesp (SBSP3) segue como a principal escolha, enquanto a recomendação para a Sanepar (SAPR11) também permanece neutra.

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Sabesp (SBSP3)
A Sabesp continua sendo o principal veículo do Morgan Stanley para investir em companhias de saneamento. Com possíveis catalisadores positivos pela frente, como o leilão do programa UniversalizaSP e uma provável revisão positiva das estimativas de lucro, já que o consenso ainda parece conservador em relação às iniciativas de redução de custos, o perfil de risco-retorno da SBSP3 segue atrativo e a recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra).
O banco ajustou projeções e avaliação, elevando o preço-alvo para até R$ 162 por ação, ante R$ 160, estimando uma taxa interna de retorno (TIR) real sobre o patrimônio líquido de cerca de 11,4%, potencial de valorização em torno de 9% e uma assimetria otimista/pessimista de 1,2 vez.
Além do risco-retorno e do momentum, a instituição prefere a SBSP3 em relação aos pares pela execução mais avançada após a privatização, governança corporativa mais clara, menor risco de inadimplência, melhor posicionamento para crescimento inorgânico e maior liquidez das ações.
Copasa (CSMG3)
O novo marco regulatório da Copasa e o processo de privatização em curso destravaram valor relevante. Embora o momento possa sustentar novas altas no curto prazo, o Morgan Stanley mantém uma visão cautelosa, pois a maior parte do potencial de valorização já parece precificada e os riscos seguem presentes.
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A equipe de análise do banco espera que a privatização da CSMG3, prevista para o primeiro semestre de 2026, gere criação de valor por meio de melhorias operacionais, governança, regulação e estrutura de capital. O banco incorporou parcialmente esses ganhos em seu cenário-base, incluindo a extensão da concessão até 2073, redução de custos de 30% e investimentos de R$ 21 bilhões até 2030. Com isso, elevou em cerca de 30%, em média, as estimativas de EBITDA (lucro antes de juros, impostos e depreciação) entre 2025 e 2030, o que implica crescimento anual composto de 17% no período, e mais do que dobrou o preço-alvo para R$ 58 por ação, ante R$ 28.
Ainda assim, após forte reprecificação das ações, com alta de 156% em doze meses, o banco vê espaço limitado de valorização, sugerindo que grande parte dos ganhos com a privatização já está refletida nos preços e justificando uma recomendação neutra. A instituição também não descarta uma reação negativa do mercado caso surjam entraves relevantes durante o processo.
Sanepar (SAPR11)
Se a privatização da Copasa for concluída, a Sanepar passaria a ser a única concessionária de água estatal listada no Brasil, sem sinais políticos claros de privatização no curto prazo.
Por ser uma empresa controlada pelo Estado, o Morgan Stanley avalia que o perfil de risco-retorno da Sanepar é relativamente equilibrado, a 0,86 vez EV/RAB (Valor da Firma sobre Base de Ativos Regulados) estimado para 2026, ante média histórica de cinco anos de 0,72 vez, o que sustenta a recomendação neutra. No entanto, o banco elevou preço-alvo de R$ 40 para R$ 48.
Uma eventual privatização, contudo, permanece como um importante catalisador potencial para uma reavaliação relevante dos múltiplos. Historicamente, como o mercado tende a antecipar a criação de valor à medida que a privatização se torna mais provável, uma reprecificação dependeria de sinais políticos mais claros antes das eleições para governador do Paraná em outubro de 2026, condições que hoje não estão presentes.