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SÃO PAULO – A intensificação das turbulências vem afetando de forma generalizada a emissão de ativos nos mercados brasileiros. Segundo dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o volume total registrado no País caiu sensivelmente de R$ 166,9 bilhões no total de 2007 para R$ 117,19 bilhões neste ano.
Tal montante tem como base as estatísticas acumuladas até esta quarta-feira (29) e esconde um impacto homogêneo entre todos os tipos de ofertas: ações, debêntures, FIDCs (fundos de investimentos em direitos creditórios), entre outros. A única categoria que mostra evolução é a de notas promissórias.
Os fundos de investimentos em participações (FIPs), mais conhecidos por seu nome em inglês “private equity”, também se mostram afetados pela crise. Embora mantenham a terceira colocação entre os ativos ofertados com registro na autarquia, o volume sofreu forte recuo na passagem anual.
As cotas de FIPs (somadas às cotas de fundos de investimento em cotas de FIPs) registram R$ 17,72 bilhões no acumulado de 2008, ao passo que no ano passado, tal cifra ficou em R$ 22,27 bilhões. Confira o desempenho dos quatro principais tipos de oferta:
| 2007 | 2008 | ||
| Ativo | Volume (R$ bilhões)* |
Ativo | Volume (R$ bilhões)** |
| Ações | 67,323 | Ações | 34,004 |
| Debêntures | 46,534 | Debêntures | 37,459 |
| FIPs | 22,274 | FIPs | 17,721 |
| Notas Promissórias | 9,726 | Notas Promissórias | 16,350 |
Fonte: CVM
*Emissões primárias e secundárias, considerando aquelas que tiveram dispensa de registro
**Emissões primárias e secundárias realizadas até 29 de outubro
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Até 29 de outubro, a CVM contabiliza um total de 55 emissões registradas por fundos de investimentos em participações, enquanto que no ano passado, o registrado pela autarquia foi de 78 emissões, sendo apenas uma de perfil secundário.
Mas perspectivas seguem favoráveis
Todavia, apesar de tais números da CVM, analistas acreditam que os fundos de private equity brasileiros tendem a se beneficiar do atual momento de escassez de crédito, aproveitando a penalização dos preços dos ativos para realizarem aquisições promissoras.
A leitura é adotada pela equipe da PricewaterhouseCoopers. Em relatório, os analistas afirmam que “o cenário brasileiro para investimentos de private equity continua positivo. Em meio ao turbulento contexto internacional, o Brasil se fortalece como uma atrativa opção de investimento”.
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Embasando sua visão, a equipe cita estatísticas de 2007, quando o segmento esteve envolvido, diretamente ou indiretamente, em 15% de todas as transações de compra e venda de empresas divulgadas na imprensa. “Temos muito espaço para crescimento”, diz o estudo.
Mais sobre os fundos de private equity
De acordo com a instrução CVM nº 391, o Fundo de Investimento em Participações, constituído sob a forma de condomínio fechado, “é uma comunhão de recursos destinados à aquisição de ações, debêntures, bônus de subscrição, ou outros títulos e valores mobiliários conversíveis ou permutáveis em ações de emissão de companhias, abertas ou fechadas, participando do processo decisório da companhia investida, com efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão, notadamente através da indicação de membros do Conselho de Administração”.
Em outras palavras, ao adquirir ativos de determinadas empresas, compondo assim o patrimônio líquido do fundo, os FIPs, ou fundos de private equity, estão financiando os negócios destas empresas.
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Como explica a Abvcap (Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital), ao contrário dos fundos de renda variável tradicionais, os FIPs são estruturados através de “condomínios fechados” – como define a regulamentação da CVM – ou seja, seus investidores subscrevem as cotas no início do fundo e não há possibilidade de resgate intermediário, uma vez que os cotistas só recebem o capital aplicado na ocasião do desinvestimento/venda do fundo nas empresas em carteira.