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A diversificação das estratégias com derivativos ganhou novos contornos com o lançamento de contratos futuros e opções sobre o índice de volatilidade VIX Brasil, além da ampliação da prateleira de vencimentos das opções de Ibovespa. Nesse contexto, o movimento reforça o plano da B3 de criar um ecossistema mais sofisticado para o investidor brasileiro.
Renato Munhoz, gerente de Derivativos de Equities da B3, concedeu uma entrevista ao InfoMoney para explicar como esses instrumentos se encaixam nas estratégias de proteção e especulação, e por que a estrutura de vencimentos diários, semanais e mensais representa uma virada no mercado local.
Derivativos do VIX como ferramenta essencial
Nesse cenário, a criação dos derivativos sobre o VIX Brasil, lançados no fim de 2025, foi um marco para a B3. Segundo Munhoz, o índice mede a volatilidade esperada para os próximos 30 dias com base nas ofertas das opções do Ibovespa. “Ele é um termômetro do mercado para mostrar se o mercado está acreditando que nos próximos 30 dias terá mais ou menos volatilidade,” afirma.
O executivo destaca que o VIX não aponta direção, mas intensidade da oscilação do mercado. Com os derivativos, agora é possível se proteger ou especular com base nesse indicador. “Deveria ser uma ferramenta quase que obrigatória para todos os clientes, não importa o perfil. Com os derivativos, isso permite que os investidores consigam fazer a exposição à volatilidade de fato”, explica.
Além disso, a possibilidade de combinar vencimentos abre espaço para estratégias mais avançadas. Dessa forma, os investidores passam a ter instrumentos que permitem agir diretamente sobre a leitura do índice. “Existem estratégias que dá para fazer no contrato futuro, assim como nas opções. Dessa forma, a gente consegue ter instrumentos que permitam agora, de fato, você tomar uma ação em cima daquele número que estava sendo visto via o índice”, conclui.
Leia mais: Índice VIX: o que é o “Índice do Medo”, e por que tem esse nome?
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Small Caps ganham espaço tático
Nesse sentido, a inclusão das opções semanais sobre o índice Small Caps amplia o leque de atuação dos investidores que buscam exposição em empresas de menor capitalização. Embora ainda sem grande volume, a criação desses contratos mira o preparo para fluxos futuros.
Munhoz ressalta que a ideia foi estruturar o produto com antecedência, mesmo sem demanda imediata. “A estratégia foi de deixar isso preparado para o momento que tivermos ali a exposição e o crescimento nesse tipo de empresa que compõe o índice”, explica.
A proposta, portanto, não foi lançar um produto com alta volumetria imediata, mas sim completar a prateleira — um movimento iniciado em 2024 com o lançamento das opções mensais do índice Small Caps e que teve continuidade em 2025 com as opções semanais de Ibovespa. “Foi muito mais para a gente ter esse complemento e aproveitar esse movimento que a gente fez de ter a flexibilidade de vencimentos”, afirma.
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Vencimentos diários e o uso técnico
Com o ciclo completo de vencimentos — diário, semanal e mensal — os investidores ganham autonomia para posicionamentos mais técnicos em eventos específicos. A B3 observa um crescimento gradual na adoção desses prazos. “A gente tem visto algumas operações táticas que os clientes fazem, porque eles conseguem ali fazer negociação para qualquer dia do mês”
Esse modelo permite alinhar posições com eventos relevantes, como divulgação de resultados, dados econômicos ou fatos globais que impactem os ativos locais. “Isso viabiliza ali uma série de exposições, trades e hedges de posições que casam ali com algum evento econômico, algum evento de resultado de empresa que é relevante no índice ou qualquer outra questão.”, explica.
A expectativa da B3 é que a popularização das opções de curto prazo se intensifique nos próximos anos. “Vemos muito que essa questão de adoção tende a ser gradual. Com o ano de 2026 para frente. Que isso tende a se popularizar muito entre os investidores”, afirma.
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Educação como pilar para adoção
O avanço da prateleira de produtos exige contrapartida em educação. Segundo Munhoz, esse tem sido um pilar estratégico para a B3, com ações que envolvem desde a própria bolsa até corretoras, influenciadores e assessores de investimento.
O foco é garantir que o investidor entenda as características e saiba como aplicar os ativos de forma eficiente. “Tem tanto uma parte aqui nossa B3 de treinamentos, tem uma parte que a gente faz em conjunto com as corretoras de divulgação desses produtos”, afirma.
A missão é clara: democratizar o acesso e o entendimento dos novos produtos para todos os investidores. “A gente tem que se aproximar desse público também para fazer esse educacional e que isso seja transmitido da melhor forma”, conclui.
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