“BCs perderam grande parte da capacidade de estimular a economia”, diz Stiglitz

Prêmio Nobel de Economia diz que 15 de setembro deste ano marcou o fim do fundamentalismo de mercado

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SÃO PAULO – “Os bancos centrais já perderam grande parte de sua capacidade de
estimular a economia”, disse o prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz nesta
segunda-feira (10), durante a realização do evento ExpoManagement, em São Paulo.
Em resposta à pergunta feita pela InfoMoney, Stiglitz disse que o episódio da
crise mostra o quão cheio de falhas é o sistema monetário dos países.

“O que a política monetária está fazendo é tentar evitar um desastre, um total
derretimento dos mercados, não uma ressurreição da economia”, afirmou o
economista e professor da Universidade de Columbia durante coletiva de imprensa. Desde setembro de 2007, a taxa básica de
juro norte-americana passou de 5,25% ao ano para 1% ao ano e pode cair mais, segundo
as projeções do mercado. Este é o menor nível desde junho de 2001, quando o Fed
era administrado por Alan Greenspan.

“John Maynard Keynes disse há 75 anos sobre a possibilidade da perda desta
capacidade, a armadilha de liquidez. Ben Bernanke já admitiu e, por isso, está
pedindo um estímulo fiscal”, explica. Durante a Grande Depressão, Keynes
argumentou que, na ocasião de uma taxa básica de juro muito baixa – algo inferior a 2% ao ano -, estímulos monetários podem surtir poucos efeitos sobre a economia real.

Estabilidade financeira

Na última semana, o BoE (Bank of England) surpreendeu o mundo com um corte agressivo na taxa básica de juro de 150 pontos-base, levando-a para 3% ao ano, menor nível em mais de 50 anos. Antes, o Banco Central do Japão cortou a taxa básica de juro de 0,5% para 0,3% ao ano. “Eles (os bancos centrais) pareciam acreditar que para manter o crescimento
econômico era preciso estabilidade de preço. Esqueceram que era importante manter
a estabilidade financeira”, afirma.

“É por isso que cremos que o Fed de Greenspan teve responsabilidade pela crise.
Há cinco anos publiquei o livro ‘Rumo a um novo paradigma em política monetária’,
que enfatiza a importância da estabilidade financeira e pedia que os BCs olhassem
para isso. Mas é óbvio que não o fizeram”, argumenta Stiglitz. Além disso, o economista mostrou grande receptividade pela proposta de criação de um novo órgão regulador do sistema financeiro internacional.

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Joseph Stiglitz vê o final do “fundamentalismo de mercado”

“Nós colocamos como reguladores pessoas que não acreditavam na regulamentação”. Stiglitz cita o caso de Paul Volcker, ex-presidente do Fed, que teria trabalhado neste sentido. O resultado, segundo ele, foi a demissão de Volcker e a nomeação de Greenspan. “A falta de transparência está por trás da crise de crédito”. Para ele, Wall Street levou a inovação e a menor transparência dos produtos financeiros ao estado da arte.

Fim do fundamentalismo de mercado

Durante a palestra “O Futuro da Globalização” ministrada nesta manhã, Stiglitz disse que os mercados, ao contrário do pensado por alguns, não possuem a capacidade da auto-correção ou do auto-ajuste, “pelo menos por um período de tempo razoável”. Segundo ele, o dia 15 de setembro deste ano – data na qual o governo norte-americano assumiu o controle das agências de crédito imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac – marcou o final do fundamentalismo de mercado.

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“Assim como a queda do Muro de Berlim marcou o final do Comunismo e a crença neste sistema, o 15 de setembro marca o final oficial do fundamentalismo de mercado”, argumenta. Segundo ele, o importante agora é a busca do equilíbrio entre a participação do Estado e do mercado. “O Comunismo era todo Estado. Foi um desastre. E nos EUA foi o contrário, houve muita desregulamentação do mercado. Estamos agora tentando entender o equilíbrio entre o mercado e o Estado.”