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Em particular, temos três grandes tópicos da agenda que têm grande influência e que não dizem respeito à corrupção política em Washington D.C. ou à reestruturação do sistema de saúde americano: mudança climática, energia alternativa e presença militar no Oriente Médio.
O aquecimento global, definitivamente, ganhou as manchetes dos jornais e virou agenda política das principais autoridades. Embora seja necessária uma cooperação entre todos os líderes empresariais e políticos, o presidente norte-americano possui papel proeminente nessa batalha do século XXI.
| “Presença menos rival no Oriente Médio pode trazer consequências positivas ao petróleo” |
O impacto mais imediato na economia real já está ocorrendo no setor automobilístico, com uma pressão crescente para que as montadoras acelerem as pesquisas sobre a viabilidade e difusão dos carros híbridos. O aumento desse mercado pode ter um impacto significativo sobre os preços de equilíbrio do petróleo, ao reduzir a demanda per capita por gasolina.
O etanol, produzido no Brasil com cana-de-açúcar e nos EUA com milho, é fonte de grande pressão política por parte dos produtores agrícolas norte-americanos. O desmembramento dessa disputa pode trazer mudanças significativas sobre os preços, não só do petróleo, mas de diversas commodities agrícolas, como a soja (que disputa o espaço de produção com o milho no solo norte-americano), o próprio milho e o açúcar.
Este é apenas um exemplo, mas, de modo geral, o apoio à pesquisa e desenvolvimento de fontes alternativas de energia acarretará uma mudança na composição da demanda por óleo.
Por fim, a presença norte-americana no Oriente Médio é, talvez, o ponto de maior interesse popular e, possivelmente, com maior impacto sobre as cotações de mercado dos bens primários no curto prazo. A The Economist da semana de 8 a 14 de novembro traça um interessante quadro do mundo que Obama herdará de George W. Bush. E dá grande destaque às tensões geopolíticas entre a Casa Branca e diversas nações do mundo árabe. Não só com o Iraque ou o Afeganistão, mas principalmente a relação entre os EUA e o Irã merecerá grande atenção.
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Embora os problemas políticos na região estejam longe de ser apenas responsabilidade dos norte-americanos, uma presença menos rival e mais cooperativa pode trazer um ambiente menos volátil, tendo consequências positivas sobre os preços do petróleo.
Portanto, será fundamental observarmos as políticas e posturas do novo presidente norte-americano em todas essas questões para fazermos uma análise mais correta e concreta do impacto que esse evento histórico pode trazer para as commodities. A esperança foi depositada nas urnas, mas o risco está exatamente na expectativa gerada por tantas promessas de mudanças e o tempo necessário para que os prêmios sejam colhidos.
Ivo Chermont é economista da Modal Asset Management e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
ivo.chermont@infomoney.com.br