Dólar tem terceira alta consecutiva e renova sua máxima desde maio de 2006

BC realiza leilão de swap, mas mercado só absorve metade dos contratos; EUA tem queda recorde em indicador inflacionário

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SÃO PAULO – Contrariando os esforços do Banco Central, o dólar comercial fechou em alta frente ao real pela terceira sessão consecutiva nesta quarta-feira (19). A valorização que veio em resposta ao pessimismo externo fez com que a divisa renovasse sua máxima desde maio de 2006.

Nem mesmo a maior oferta de contratos de swap em leilão do BC foi capaz de atenuar o impulso da divisa norte-americana frente ao real. Nesta sessão, dos 62.000 contratos ofertados, menos da metade foi absorvida pelo mercado, o que movimentou US$ 1,475 bilhão.

Os efeitos do pessimismo são vistos também no movimento brasileiro de câmbio. Conforme dados da autoridade monetária, o fluxo cambial acumulado nos primeiros dez dias úteis de novembro ficou negativo em US$ 877 milhões.

Para a LCA Consultores, o fluxo comercial parece caminhar à normalização, mas as saídas financeiras do período explicam a forte pressão sobre a cotação cambial brasileira. “Reiteramos perspectiva de que o dólar só voltará a ser negociado abaixo de R$ 2,00 entre fevereiro e março de 2009”, afirmou a equipe.

Mais mal-estar no cenário externo

O presidente do BCE (Banco Central Europeu), em entrevista à rede de televisão Sky News, foi mais uma vez enfático ao transmitir sua visão sobre a atual crise – considerada a pior desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Jean-Claude Trichet ressaltou ser esta a “primeira vez em que o coração das finanças dos países industrializados está em risco, em um episódio muito turbulento e difícil”.

No âmbito corporativo, as tensões predominam, com temores de que GM, Ford e Chrysler entrem em falência, se o governo não oferecer ajuda financeira às companhias. No caminho contrário, os dados divulgados sobre o número de casas em início de construção sinalizaram leve melhora no setor imobiliário.

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Inflação norte-americana e política monetária

Os EUA foram centro de incertezas novamente. O CPI (Consumer Price Index) apontou deflação maior que a esperada em outubro, registrando taxa negativa de 1%. Segundo o Departamento de Trabalho americano, trata-se da maior queda para este indicador desde fevereiro de 1947.

O desempenho, que sugere menor pressão dos preços, aumenta a expectativa de nova flexibilização monetária do Federal Reserve. “Ainda que um relaxamento monetário adicional deva pouco contribuir para animar o consumo e a produção, ele poderia ter o efeito de consolidar a incipiente melhora no funcionamento dos mercados financeiros”, afirmou a consultoria LCA.

Ainda nesta sessão, a autoridade monetária norte-americana divulga a ata referente à sua última reunião em 29 de outubro, quando optou por reduzir o juro-básico dos EUA em 50 pontos-base para 1% ao ano.

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Confira as cotações

O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,3870 na compra e R$ 2,3890 na venda, forte alta de 2,75% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$ 2,4000, representando um ágio de 0,54% em relação ao dólar comercial.

Com esta alta, o dólar acumula valorização de 10,60% em novembro, frente à alta de 13,33% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 34,52%.

Dólar futuro na BM&F também fechou em alta

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em dezembro encerrou o dia cotado a R$ 2.401, forte alta em relação ao fechamento de R$ 2.333 da última terça-feira. O contrato com vencimento em janeiro também teve forte alta, atingindo R$ 2.420 frente à R$ 2.347 do fechamento de ontem.

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O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 2,3950000.

Curva de FRA de cupom cambial

O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 3,70% para dezembro de 2008, 0,65 ponto percentual abaixo do fechamento anterior.