Publicidade
Brasília vive mais um fim de semana decisivo em seu projeto de se consolidar como a capital nacional das finais únicas do futebol brasileiro. A movimentação em torno do estádio Mané Garrincha reforça uma ambição que já circula nos bastidores de clubes, entidades e organizadores de eventos: transformar a arena em uma espécie de Wembley brasileiro, nos moldes do estádio londrino que centraliza decisões, grandes jogos e compromissos da seleção inglesa. A proposta não nasce do acaso. Ela é sustentada por histórico, infraestrutura, localização estratégica e impacto econômico comprovado.
O domingo (1) é o grande dia, com a final única da Supercopa sendo disputada às 16h entre Flamengo e Corinthians, os campeões do Brasileirão e da Copa do Brasil de 2025, respectivamente.
Não é de hoje que Brasília se tornou a queridinha do futebol. O Mané Garrincha e toda a região do entorno passaram a figurar de forma recorrente no radar de confederações, federações e clubes. A capital foi uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, recebeu a Copa das Confederações em 2013 e teve papel relevante nos Jogos Olímpicos de 2016, com partidas do futebol masculino e feminino. Desde então, o estádio manteve uma agenda constante de jogos nacionais e internacionais, algo pouco comum no calendário brasileiro.
Planner InfoMoney
Mantenha suas finanças sob controle neste ano
Leia Mais: Endrick vira mania na França, com sucesso em campo e engajamento em redes sociais
Esse histórico abre espaço para um passo além. Brasília surge como candidata natural a se tornar sede fixa de finais únicas, como a Supercopa do Brasil e até decisões da Copa do Brasil, que passou recentemente por mudanças em seu formato. A comparação com Wembley passa a fazer sentido não apenas pelo simbolismo, mas pela lógica de centralização. Localizada no centro político e geográfico do país, a capital oferece facilidade logística, capacidade hoteleira e uma arena preparada para receber grandes públicos e eventos de alcance nacional.
Nos últimos anos, o Mané Garrincha voltou a ocupar papel estratégico também em momentos sensíveis do futebol sul americano. Em 2021, em meio à pandemia da Covid 19, Brasília foi fundamental ao apoiar a Conmebol quando Argentina e Colômbia desistiram de sediar a Copa América. A cidade recebeu partidas da competição e foi a primeira do continente a voltar a ter jogos com público, como o confronto entre Flamengo e Defensa y Justicia pela Libertadores. No mesmo ano, o estádio sediou a primeira decisão internacional de sua história, a Recopa Sul Americana, entre Palmeiras e Defensa y Justicia.
Continua depois da publicidade
A agenda de grandes jogos seguiu nos anos seguintes. Em 2024, o Mané Garrincha recebeu a seleção brasileira na vitória por 4 a 0 sobre o Peru, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, além de partidas de forte apelo popular, como o clássico Majestoso entre São Paulo e Corinthians. Em decisões nacionais, Palmeiras e Flamengo protagonizaram confrontos marcantes no estádio em 2021 e 2023. Na primeira, os cariocas ficaram com o título nos pênaltis. Na mais recente, o Verdão venceu por 4 a 3, em um jogo que reforçou o potencial da arena como palco de finais.
O impacto ultrapassa o esporte. De acordo com a Secretaria de Turismo, o Mané Garrincha já se consolidou como um dos principais pontos turísticos da capital federal. Assim como o Palácio do Planalto, o Planetário e o Templo da Boa Vontade, o estádio está entre os locais mais visitados por turistas e brasilienses aos fins de semana. O tour guiado custa R$55,00 durante a semana e R$80,00 aos fins de semana, atraindo um público que vai além do torcedor.
O aumento no número de jogos e shows também se reflete diretamente na economia local. Em 2023, a taxa de ocupação hoteleira chegou a 65,71 por cento, superando o período pré pandemia, quando em 2019 o índice era de 59,43 por cento. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal, que projeta crescimento ainda maior. A arrecadação com ISS acompanhou esse avanço, saltando de R$ 7 milhões em 2018 para R$ 35 milhões em 2023.
Leia Mais: Com Ronaldo e Neymar na final, Kings League fica perto de recorde no Allianz Parque
Dentro dessa lógica de nacionalização do futebol, o modelo de finais únicas aparece como um caminho natural. “Muitos clubes possuem torcidas espalhadas pelo país inteiro. Levar jogos decisivos para outras regiões fortalece esse vínculo, movimenta a economia local e amplia o alcance do espetáculo, desde que tudo esteja integrado a um planejamento de calendário”, analisa Reginaldo Diniz, CEO da End to End.
A experiência do torcedor também entra no centro do projeto. “Após a Copa do Mundo e a modernização do estádio, o Mané Garrincha ganhou uma relevância ainda maior. Pensar em experiências, hospitalidade e uso inteligente dos espaços é fundamental para consolidar o local como referência”, afirma Léo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality.
Mesmo fora dos dias de jogo, a arena mantém atividade constante. Parte dos camarotes foi transformada em espaços de coworking, ocupando cerca de 6 mil metros quadrados no terceiro andar do estádio. A estimativa da administração é de que aproximadamente 800 pessoas trabalhem diariamente nesses espaços, reforçando o conceito de arena multiuso e integrada à cidade.
Continua depois da publicidade
Um ponto que historicamente gerava críticas era o gramado. Sem substituição desde a Copa de 2014, o campo passou por uma ampla reforma em 2025, com retirada completa da grama, nivelamento a laser e replantio em rolos no sentido Norte Sul. “A modernização do gramado é fundamental para uma arena de padrão Copa do Mundo. As melhorias elevam o nível de desempenho e segurança e colocam o campo à altura dos principais jogos do país”, explica Otávio Pedroso, arquiteto da Recoma.
É nesse contexto que o Mané Garrincha também passou a receber eventos ligados à indústria do futebol. Nesta quinta feira, o estádio foi palco do Bet ON Brasil, promovido pela techfin Paag, reunindo executivos, operadores e representantes do setor de apostas esportivas. Um dos destaques do encontro foi a discussão sobre o primeiro ano do mercado regulado no país.
Durante o evento, o secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena, destacou a importância do novo momento do setor. “A regulamentação trouxe previsibilidade, segurança jurídica e regras claras. O objetivo é proteger o consumidor, dar transparência ao mercado e criar um ambiente sustentável para as empresas que atuam de forma responsável no Brasil”, afirmou. Segundo Dudena, a consolidação do modelo passa também por diálogo constante com os setores do esporte e do entretenimento, cada vez mais conectados a esse mercado.
Continua depois da publicidade
Com histórico esportivo, estrutura pronta, impacto econômico mensurável e protagonismo institucional, Brasília vive mais do que um fim de semana movimentado. Vive um momento chave para se afirmar como a casa das grandes decisões do futebol brasileiro, em um projeto que se inspira em Wembley, mas busca construir uma identidade própria como capital definitiva das finais únicas no país.