Bitcoin cai de olho em Warsh no Fed e tem maior sequência negativa desde 2018

Nos últimos anos, uma das principais teses de sustentação do Bitcoin foi a expansão sem precedentes do balanço do Fed, algo fortemente criticado pelo possível indicado de Trump

Paulo Barros

Imagem ilustra movimento negativo de criptomoedas como Bitcoin (Imagem gerada com auxílio IA/Leonardo Albertino)
Imagem ilustra movimento negativo de criptomoedas como Bitcoin (Imagem gerada com auxílio IA/Leonardo Albertino)

Publicidade

O Bitcoin (BTC) voltou a operar em queda nesta sexta-feira (30), acompanhando o movimento de aversão a risco nos mercados globais diante da confirmação de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve. A leitura predominante entre investidores é que Warsh tende a adotar uma postura menos tolerante à expansão do balanço do banco central, o que pressiona ativos mais sensíveis à liquidez.

Por volta das 7h, o Bitcoin era negociado a US$ 82.177, acumulando perdas de 6,4% em 24 horas e de quase 6% no mês, caminhando para o quarto mês consecutivo de queda, a sequência negativa mais longa desde 2018.

A fraqueza não ficou restrita ao Bitcoin. O Ethereum (ETH) caía mais de 7% no dia, a US$ 2.714, enquanto tokens ligados a ecossistemas de maior risco, como Solana (SOL) e Dogecoin (DOGE), também operavam no vermelho.

Oportunidade com segurança!

A pressão sobre o mercado cripto já havia se intensificado na quinta-feira (29), em sintonia com a forte correção das bolsas americanas, especialmente do setor de tecnologia, após uma queda expressiva das ações da Microsoft.

Torneira vai fechar?

Nos últimos anos, uma das principais teses de sustentação do Bitcoin foi a expansão sem precedentes do balanço do Fed, que injetou liquidez no sistema financeiro e favoreceu ativos escassos e de maior risco. Com Warsh despontando como favorito ao comando do banco central, conhecido por defender um balanço menor do Fed, essa narrativa começa a ser colocada à prova.

A reação dos mercados sugere que investidores estão recalibrando posições diante da possibilidade de um banco central menos disposto a sustentar liquidez abundante. Além da queda do bitcoin, os yields de longo prazo dos Treasuries subiram e o dólar ganhou força. “A valorização da moeda americana costuma pressionar ativos alternativos, como o Bitcoin”, explica Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin.

Continua depois da publicidade

ETFs ‘sangram’

O movimento de aversão a risco foi reforçado por fortes resgates nos ETFs de criptomoedas listados nos EUA, que registraram quase US$ 1 bilhão em saídas em um único pregão. Apenas os fundos de Bitcoin perderam mais de US$ 800 milhões, no maior fluxo negativo desde novembro, enquanto os ETFs de Ethereum também registraram retiradas relevantes.

A leitura no mercado é que houve uma redução generalizada de exposição institucional ao setor, e não uma simples rotação entre criptoativos. Segundo analistas, o comportamento marca uma mudança em relação ao início de janeiro, quando entradas em produtos de Ethereum ainda compensavam a fraqueza do Bitcoin.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)