Estratégia externa de Lula vira novo vetor de risco político para 2026, diz analista

Aproximação pragmática com os EUA e outros líderes busca evitar isolamento em cenário internacional mais conservador, mas aumenta a exposição eleitoral do petista, avalia Paulo Gama

Marina Verenicz

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A estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de reforçar uma política externa mais pragmática, com aproximação de diferentes líderes internacionais, passou a ser tratada por analistas como um vetor adicional de risco político no ciclo eleitoral de 2026. O tema foi discutido no episódio desta sexta-feira (30) do Mapa de Risco, novo programa de política do InfoMoney.

A avaliação apresentada pelo head de Política da XP, Paulo Gama, é de que o movimento não é casual. Diante de um cenário internacional em que a América Latina pode passar por nova guinada à direita e com eleições relevantes no radar regional, o Planalto passou a evitar alinhamentos ideológicos explícitos. A leitura é de que insistir nesse caminho poderia isolar o Brasil em um tabuleiro internacional cada vez mais conservador.

Nesse contexto, ganhou destaque a conversa recente entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além da sinalização de uma possível visita a Washington no fim de fevereiro. O diálogo envolve temas sensíveis, como tarifas, Venezuela e comércio, e faz parte de uma tentativa do governo brasileiro de manter canais abertos com diferentes polos de poder.

Do ponto de vista econômico, a lógica é clara: o isolamento internacional tende a significar menos investimento, maior volatilidade cambial e mais dificuldade em negociações comerciais. Para o investidor, portanto, a política externa também entra no cálculo de risco.

Ao mesmo tempo, a estratégia amplia a exposição política de Lula no ambiente doméstico. O analista lembra que, em eleições anteriores, a associação da esquerda latino-americana a regimes autoritários foi explorada eleitoralmente contra o petista. A cautela atual, com discursos mais moderados e notas diplomáticas sem citações diretas, busca evitar esse tipo de desgaste.

A leitura apresentada no Mapa de Risco é que o governo avalia ter sido bem-sucedido ao transformar a relação com os Estados Unidos em um ativo político, especialmente após episódios envolvendo tarifas e disputas comerciais. Por isso, a tendência é manter o tema em evidência ao longo de 2026, tanto no campo econômico quanto no eleitoral.

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O Mapa de Risco, novo programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.