Luta contra inflação domina ambiente econômico na Europa

BCE privilegia controle dos preços, apesar da deterioração da economia local; agora, olhares se voltam para o Fed

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SÃO PAULO – A deterioração da atividade econômica mundial, aliada ao forte avanço da inflação, vem tirando o sono de muitos formadores de política econômica nos países, que decidem entre recuperar o crescimento ou conter a demanda agregada.

Nesta quinta-feira (3), o BCE (Banco Central Europeu) optou por elevar a taxa básica de juro da região em 25 pontos-base, levando-a ao nível de 4,25% ao ano.

Preocupada com a inflação, a instituição presidida por Jean-Claude Trichet respondeu ao avanço de 4% do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da região no mês de junho. Com essa medida, Trichet deseja se aproximar mais da meta de inflação de 2% ao ano.

“A decisão de política monetária deverá contribuir para alcançar o nosso objetivo”, afirmou o presidente do BCE em conferência após a reunião, meta esta que vem sendo desvirtuada pelo forte avanço dos preços dos alimentos e dos combustíveis, vide a cotação do petróleo.

Seguindo as expectativas

Na tentativa de estabilizar os preços, o BCE vem trabalhando com o psicológico do mercado, já que a tentativa de convergir a inflação rumo à meta pré-estabelecida necessita de toda a ajuda possível.

Trichet sabe que, se os agentes acreditarem na premissa, a teoria se prova eficaz. Com isso, os rumores de maior aperto monetário não são exatamente um problema. O mercado reage. Como exemplo, o juro interbancário de curto prazo precifica a taxa básica em 4,5% ao ano até dezembro.

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Dúvidas quanto à decisão

Apesar da perspectiva de evitar o avanço da inflação, fator benigno para a economia, alguns especialistas afirmam que o Banco Central Europeu tomou a decisão errada, haja vista o fraco desempenho econômico.

A elevação do juro básico impacta diretamente nos ajustes das taxas de empréstimos da região, principal vetor para o investimento direto, além de impactar os níveis de consumo.

Tendência mundial?

A dúvida agora paira sobre quanto a decisão do BCE poderá influenciar os outros bancos centrais, já que a instituição é parâmetro para muitos formuladores de política monetária.

O foco, indiscutivelmente, se concentra em Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve. Em sua última decisão, o Fed optou por manter o juro básico em 2,00% ao ano. Porém, o avanço da inflação já levanta rumores sobre um possível aperto monetário da próxima reunião, marcada para 5 de agosto. Logo saberemos se o Fed seguirá o exemplo de seus pares globais, privilegiando o controle inflacionário.