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Quase 20 mil quilômetros de navegação separam o porto de Zhangjiagang, na China, do tradicional bairro da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo, onde se localiza o pátio da TIC Trens, concessionária da linha 7-Rubi. Entre novembro e janeiro, foi por esse trecho que percorreram nove veículos auxiliares encomendados pela companhia.
A operação é tão complexa quanto pode parecer: nos 12 meses entre o contrato com a fabricante e a chegada a São Paulo, foram mobilizados times de logística e importação, compras, engenharia, jurídico, agentes de carga, despachantes aduaneiros e consultorias.
Tudo começa antes mesmo da fabricação. Para os veículos encomendados pela TIC Trens, destinados à manutenção da linha, os fabricantes das peças estão espalhados pelo mundo. Elas são reunidas e montadas pela CRRC, uma das sócias da TIC Trens, em quatro fábricas diferentes na China.
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“Sempre tentamos olhar qual é a melhor solução para o projeto. Como a CRRC figura como acionista, temos essa possibilidade de identificar as melhores soluções lá dentro”, conta o diretor de contratos da TIC Trens, Max Fagundes. “Mas alguns dos nossos veículos são nacionais. Há produção de locomotivas e vagões no Brasil, por exemplo.”
Parte dos veículos de manutenção comprados pela TIC Trens, no entanto, não tem similares nacionais. É o caso do veículo de rede aérea, uma espécie de vagão adaptado para que funcionários possam prestar manutenção às redes elétricas mais elevadas das linhas de trem.
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Fagundes explica que a primeira etapa depois da escolha do fabricante é desenvolver um projeto executivo envolvendo a própria fabricante e o comprador para desenhar eventuais customizações nos veículos. Depois entra a fase de construção, fabricação e montagem, quando são executados alguns dos testes de homologação.
Estão entre os outros itens importados pela CRRC ainda uma socadora, máquina com elementos vibratórios que estabilizam aquela pedrinhas dispostas sobre os trilhos do trem; e as reguladoras, responsáveis por nivelar essas mesmas pedras.
A TIC Trens projeta investir R$ 14,5 bilhões (em valores atualizados) na linha 7-Rubi, mas não informa qual parcela desse investimento foi dedicada aos novos veículos auxiliares. Desde a assinatura do contrato com o governo do Estado de São Paulo, a TIC Trens já recebeu cerca de 50 veículos para apoio à manutenção.
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Desde os portos de Taicang e Zhangjiagang até Santos, onde os novos trens foram descarregados, cargueiros demoraram de 45 a 70 dias de viagem. Mais 10 dias são dedicados à descarga e à análise de autoridades alfandegárias sobre a regularidade da importação.

Funcionários da TIC de plantão acompanham, via GPS, o trajeto do cargueiro até que ele esteja próximo a desembarcar, dois dias antes da chegada para receber os trens. “A descarga de equipamentos muito grandes demanda muita atenção, mas por outro lado é fácil fazer a inspeção. Como o trem vem montado, não é difícil para os agentes de inspeção conferirem se bate com a nota”, aponta Fagundes.
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Da baixada até a capital, o transporte mobiliza uma operação da polícia rodoviária. Os veículos, que podem chegar a 23 metros de comprimento e 111 toneladas em outros casos, são carregados durante a madrugada com batedores e precisam ser alvo de estudos para o transporte. Em um dos casos, os pneus de um caminhão precisaram ser murchados antes de passar por um viaduto para comportar o veículo.
“Neste caso precisamos ainda observar que era início de ano, muitas pessoas voltando da praia e um tráfego intenso nas rodovias. Neste caso estacionamos o equipamento no porto por algumas semanas e no próprio pátio da polícia em outros para só então seguir viagem”, explica Fagundes.
Carregá-los encarrilhados nas ferrovias até à capital não é uma opção porque, antes de entrar em operação, os veículos precisam passar por um período de testes específicos nas linhas.
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Ao todo, 47 funcionários da TIC estiveram envolvidos na logística de aquisição dos novos trens. A empresa é uma sociedade entre a brasileira Comporte e a chinesa CRRC.