Lula diz que única guerra a travar na América Latina é contra a fome e a desigualdade

Em discurso no Fórum Econômico da América Latina e Caribe, no Panamá, Lula disse que a região vive um dos momentos de maior retrocesso

Reuters

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista no Palácio do Planalto, em Brasília - 18/12/2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista no Palácio do Planalto, em Brasília - 18/12/2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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O presidente Luiz Inácio ‍Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (28) que a ⁠única guerra que deve ser travada na América Latina e ‍no Caribe é contra a fome e a desigualdade, apontando que a história mostra que o uso da força não pavimenta caminhos para ‌solucionar os problemas da região.

Em discurso no Fórum Econômico da América Latina e Caribe, no Panamá, Lula disse que a região vive um dos momentos de maior retrocesso em matéria de integração e que falta às lideranças latino-americanas convicção em um projeto de integração regional.

‘A história mostra que o ‌uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas ‌que afligem este hemisfério que é de todos nós. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos’, disse Lula.

A fala do presidente vem depois de, no início do ano, forças dos Estados ‌Unidos terem capturado o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação militar em Caracas para levá-lo à Justiça nos EUA por ​acusações de narcotráfico.

Desde então, o presidente norte-americano, Donald Trump, tem dito que empresas dos EUA explorarão o petróleo da Venezuela, país que tem a maior reserva comprovada de petróleo do mundo. Forças norte-americanas também capturaram navios-tanque com petróleo venezuelano, e Trump disse que esse petróleo está sendo processado em refinarias norte-americanas.

À época do ataque, Lula condenou a ação militar e disse que ela ultrapassa uma ‘linha inaceitável’. Mais recentemente, o presidente declarou que todas as noites fica indignado com o que aconteceu na ​Venezuela.

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Em seu discurso no ⁠Panamá, Lula afirmou ⁠também que houve momentos na história em que os EUA adotaram uma política de cooperar ‌com o desenvolvimento da América Latina e do Caribe.

‘Também houve momentos em que os Estados Unidos souberam ser um parceiro em prol dos nossos interesses de desenvolvimento. O presidente Franklin Roosevelt implementou ‍uma política de boa vizinhança que tinha como objetivo substituir a intervenção militar pela diplomacia em sua política externa para ​a América Latina e ‌Caribe’, disse.

Na segunda-feira, Lula conversou por telefone com Trump e, segundo nota do Palácio do Planalto, ‘ressaltou ‍a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano’. Os dois líderes combinaram ainda que Lula fará uma visita a Washington que, disse o presidente brasileiro na terça, deve ocorrer em março.