‘Marcha das tochas’: Cubanos protestam em Havana contra Trump e ameaças dos EUA

Marcha histórica foi iniciada em 1953 pelo então estudante Fidel Castro em protesto ao governo de Fulgencio Batista

Caio César

Pessoas participam da Marcha das Tochas, realizada anualmente em comemoração ao aniversário de nascimento do herói da independência de Cuba, José Marti, em Havana, Cuba, em 27 de janeiro de 2026. REUTERS/Norlys Perez
Pessoas participam da Marcha das Tochas, realizada anualmente em comemoração ao aniversário de nascimento do herói da independência de Cuba, José Marti, em Havana, Cuba, em 27 de janeiro de 2026. REUTERS/Norlys Perez

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Milhares de cubanos marcharam em Havana, na noite de terça-feira (27), em protesto contra as ameaças dos Estados Unidos contra Cuba durante evento tradicional chamado “marcha das tochas”.

O protesto ocorre na esteira de comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, que aumentou o tom das críticas a gestão cubana enquanto tenta forçar um acordo “antes que seja tarde demais”.

A marcha histórica ocorre sempre na noite do dia 27 de janeiro, véspera do aniversário do herói nacional José Marti (1853-1895), e é mantida desde 1953, quando o então estudante e futuro líder cubano, Fidel Castro, começou o movimento em protesto ao governo de Fulgencio Batista.

Nesta edição, a marcha levantou o tema “anti-imperialista” e foi liderada pelo presidente cubano Miguel Díaz-Canel, que desceu junto a manifestantes o percurso de um quilômetro pelas ruas da capital.

“Este não é um ato de nostalgia, é um chamado à ação”, destacou Litza Elena González, presidente da Federação de Estudantes Universitários entrevistada pela AFP.

“Podemos ter milhares de problemas, mas os cubanos não têm medo, embora queiramos a paz”, disse o operário Midgdelio Rosabal também ao veículo.

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Sanções e rompimento com a Venezuela

Cuba é alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos desde a década de 1960, somando embargos econômicos e ameaças militares. As tensões ganharam novo contorno com o segundo mandado do presidente Donald Trump e as recentes ações na Venezuela.

O país caribenho mantinha, até o final de 2025, acordos econômicos com o governo de Nicolás Maduro e era um dos compradores de petróleo venezuelano. Os laços foram rompidos após Trump, em 3 de janeiro, capturar o líder venezuelano e supervisionar o novo governo interino.